Infectologista tira dúvidas sobre vacina contra Covid-19 

Por Angélica Banhara

Com o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, as dúvidas sobre o assunto aumentam a cada dia. Vale lembrar que até o momento a rede de saúde suplementar e as clínicas particulares não estão autorizadas a adquirir e comercializar vacinas.  A vacinação é exclusividade do Plano Nacional de Imunização do governo. Por isso, informe-se no site da prefeitura da sua cidade.

A seguir, a médica infectologista Silvia Fonseca tira as principais dúvidas sobre o tema. Silvia é diretora corporativa de infectologia do Sistema Hapvida e tem mestrado em Epidemiologia e Saúde Pública pela Universidade de Yale (EUA).

1 – Por que as pessoas devem se vacinar?

As vacinas são a melhor resposta para doenças infecciosas, principalmente doenças respiratórias. Há um histórico no mundo de controle de muitas epidemias usando vacinas. A mais famosa é a de varíola, doença gravíssima transmitida pelo ar e que tinha uma mortalidade muito alta, mas, graças a um esforço descomunal de vacinar todo o planeta, essa foi uma infecção que desapareceu. No caso da Covid-19, além de usar a máscara, o álcool gel e manter o distanciamento social, as vacinas aparecem como uma grande oportunidade de controle dessa infecção devastadora.

“As vacinas são um grande presente da ciência para a humanidade. Elas têm um valor inestimável.” 

2 – Qual a importância da vacinação em massa?

Só com a grande maioria das pessoas vacinadas é possível bloquear o vírus a ponto de ele parar de circular. A Covid-19 é uma doença nova: por enquanto têm se falado que isso aconteceria com cerca de 80% da população vacinada para conter essa pandemia. Ao diminuirmos o número de pessoas doentes, a taxa de propagação do vírus também cai e, com sorte, a pandemia ficará sob controle.

3 – As vacinas contra a Covid-19 são confiáveis? 

Sim. Elas foram feitas rapidamente porque se colocou muito esforço e muita ciência no desenvolvimento dessas vacinas. Os pesquisadores se debruçaram sobre essa infecção devastadora e produziram centenas de milhares de publicações.Houve um esforço coletivo de cientistas e pesquisadores do mundo inteiro — e vários governos deram apoio financeiro para isso acontecer — e por isso temos as vacinas.

Quando houve a epidemia de H1N1 em 2009, tivemos vacina no ano seguinte e as pessoas não ficaram com essa dúvida: fizeram fila para tomar a vacina. As pessoas entenderam em 2010, e devem entender em 2021, que a vacina é um dos meios mais eficazes para combater doenças respiratórias.

Não tenho dúvida que esse é o caminho. Eu tomei a vacina porque sou profissional de saúde e estou a linha de frente. E sugiro que todo mundo, quando chegar a sua vez, tome a vacina.

“A vacina faz parte do mesmo pacote da água potável e do tratamento de esgoto para conter as epidemias: foi assim que o mundo diminuiu mortes e infecções.”

4 – Quem tomar uma dose da vacina estará imunizado?

As duas vacinas disponíveis no Brasil foram testadas com duas doses, em intervalo de três semanas. Nesse momento, temos que a ciência já validou: tomar as duas doses da mesma vacina.

5 – Quanto tempo depois da segunda dose a pessoa estará imunizada?

Em geral, as pessoas levam de duas a três semanas para desenvolver uma resposta imune. Mas ser imune não significa que eu não possa pegar o coronavírus e transmitir para outras pessoas.

As vacinas testadas e aprovadas no mundo, e as aprovadas pela Anvisa, têm níveis diferentes de eficácia. Podem não impedir completamente a infecção pelo vírus, mas reduzem as formas graves da doença, que levam à internação e morte. Mesmo após a vacina, deve-se continuar usando máscara, mantendo o distanciamento social e higienizando as mãos o tempo todo.

6 – Então as pessoas vacinadas podem pegar e transmitir a Covid-19?

Sim. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que as vacinas contra a Covid-19 não impedem infecções do vírus. Ao entrar em contato com o vírus depois de vacinada, muita gente vai desenvolver anticorpos e bloquear o vírus. Mas outras pessoas não vão desenvolver anticorpos suficientes para impedir a infecção, e sim para diminuir a gravidade da doença. Elas não terão sintomas ou apresentarão sintomas leves, mas poderão transmitir o coronavírus. Por isso os vacinados precisarão continuar a usar máscara e manter o distanciamento: eles podem ser infectados, adoecer e também transmitir o vírus.

A grande vantagem é que os testes mostraram que as pessoas que contraíram o vírus depois de vacinadas não morreram nem precisaram ser hospitalizadas. Isso é importante porque é preciso reduzir o número de mortes e de internações por Covid-19. Além de os hospitais estarem no limite da estrutura para atender os infectados em estado grave, as pessoas que precisam de cirurgia, que têm câncer ou outras doenças que necessitam de tratamentos hospitalares estão sem leitos também.

7 – Será preciso tomar a vacina todo ano? Quanto tempo dura a imunidade?

Não sabemos ainda. Por isso é muito importante que as pessoas acompanhem o que dizem os órgãos científicos. Chega de acreditar em mensagem de whatsapp.

“As vacinas são um grande presente da ciência para a humanidade. Elas têm um valor inestimável.”

8 – Crianças podem tomar a vacina?

Podem, mas deveriam ficar no fim da fila. Diante do número enorme de pessoas que temos que vacinar, a prioridade não são as crianças. Isso porque, quando pegam, muitas vezes não manifestam a doença ou, se manifestam, em geral, têm quadros mais leves. Com o número limitado de doses, precisamos proteger os idosos e as pessoas com doenças como câncer, doenças pulmonares, obesos, diabéticos e hipertensos. Neste momento, temos que usar os recursos onde temos mais necessidade.

9 – Existe alguma condição que impeça a vacina?
Sugerimos que pessoas que estejam gripadas ou com febre não tomem a vacina — aguardem melhorar. Se vacinar nessa condição, pode ser que a pessoa não desenvolva a mesma resposta imune.

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