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‘Pai cavalo-marinho’: homem dá à luz após engravidar durante a transição de gênero

Ele deu à luz sua filha após engravidar durante o processo de transição de gênero e afirma que a gravidez o ajudou a superar a pandemia.

Um homem que engravidou após um encontro está se adaptando à vida de “pai cavalo-marinho” depois de dar à luz a uma menina.

Ash Patrick Schade, de 28 anos, estava há 2 anos passando pelo processo de transição de gênero antes de descobrir a gravidez em fevereiro de 2020.

Conforme notícia publicada pelo The Mirror, Ash estava tomando testosterona e bloqueadores de estrogênio quando engravidou. Ele acreditava que os hormônios impediriam uma gravidez.

Após o susto inicial com a notícia da gravidez, Ash optou por interromper o tratamento para seguir com a gestação de sua filha, Ronan Shiva.

Ele estava realizando a transição quando descobriu a gravidez

Ash lutava com sua identidade de gênero desde que consegue se lembrar. Apesar de suas questões internas, ele ficou animado para começar uma família sendo um pai “cavalo-marinho” e acredita que a gestação o auxiliou durante a pandemia.

O termo “pai cavalo-marinho” é utilizado para descrever um pai transgênero ou não binário. Este nome foi escolhido uma vez que, entre os cavalos marinhos, os machos são responsáveis por gestar e dar à luz seus filhotes.

“Na época em que engravidei, estava tomando gel de testosterona e bloqueadores de estrogênio. Nunca me ocorreu que eu pudesse engravidar enquanto estivesse transicionando, isso é uma ocorrência rara”, explica Ash.

“Eu passava por um período difícil entre 2019 e 2020, lutava com minha saúde mental devido ao divórcio. Acabei saindo com alguém que conheci pelo Grindr e acidentalmente engravidei. Foi um choque enorme, mas me apaixonei pela minha barriga e aguardei a gravidez, apesar de lutar com a disforia e de saber dos riscos médicos”.

Falta de equipe especializada e riscos na gravidez

No entanto, engana-se quem pensa que a gestação foi tranquila. Ash achou a gravidez difícil, muitas vezes sentindo a falta de uma equipe médica com experiência em situações como esta.

“Ninguém quis aceitar o meu caso quando descobri a gravidez. Eu era um caso de alto risco, com muito potencial de dar errado. Lutei com a gravidez, principalmente durante a pandemia. Mas assim que fui designado a um médico, ele trabalhou comigo para entender como eu estava me sentindo e o que estava passando”, relata o jovem pai.

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“Quando entrei em trabalho de parto, a equipe médica já havia sido informada da minha situação e foi incrível, até que os membros passaram pela troca de turno. Ver minhas pernas peludas deve ter pego um deles de surpresa, pois disseram: ‘talvez você deva repensar sua identidade de gênero’”.

No entanto, a experiência do parto foi algo inesquecível para Ash. “Pode parece algo doido, mas dar à luz foi uma das coisas mais masculinas que já fiz. Para mim, ser homem nunca foi ter o maior pênis. Mas sim o que você faz para os outros e o que pode realizar e alcançar com isso”.

“Trazer uma vida ao mundo como um pai cavalo-marinho foi incrível”

Mesmo com as dificuldades médicas durante a gestação, Ash encontrou apoio em seu marido e na comunidade LGBTQIA+ online.

“Eu me sentia como se estivesse no corpo errado. Meus pais não sabiam de nada e pensaram que a terapia de conversão iria me curar, que eu estava doente. Eu escondi meus seios e me identifiquei como um menino na escola. Eu usava roupas escuras como forma de esconder minha aparência”, relata.

“Um dia, minha mãe, que não quer ser identificada, me mandou para a escola usando um vestido rosa para o dia da foto e minha professora disse a todos, em voz alta, que eu era na verdade uma garota chamada Ashley. Passei de popular a ninguém da noite para o dia. A mãe da minha namorada chamou minha mãe para ‘manter essa calúnia de criança longe da filha dela’”.

Por conta de diversas questões relacionadas com sua saúde mental, Ash acreditou que a situação poderia piorar com a descoberta da gravidez. “Eu estava preocupado com quão bom pai eu seria e como os outros iriam me ver. Mas tive o amor do meu marido Jordan me apoiando, ele até cortou o cordão de Ronan, e esteve lá a cada passo”.

Ele agora está ansioso para contar a filha sobre a história de seu nascimento, e se preocupa em educar as pessoas sobre o tipo de família que constitui com Jordan e Ronan.

“Quero ser honesto e aberto com ela em todo o caminho e explicar que, às vezes, homens trans também podem ter bebês. Posso explicar a ela como eu sou sua mãe e seu pai”, conta.

“Muitas pessoas nos param e dizem que a mãe dela deve ser linda, ou então, quando estou com Jordan, perguntam onde nós a adotamos. Então geralmente é uma conversa bem interessante quando eu explico tudo para eles”, finaliza o pai orgulhoso.

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