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Suzane Richthofen usou acusação grave para manipular Cravinhos e obter morte dos pais, diz biógrafo

Crime chocou o país em 2002, terminando na condenação dela, do ex-namorado e do irmão dele

Crime ocorreu há mais de 20 anos
Suzane Richthofen e os irmãos Cravinhos: condenador pelas mortes do casal Richthofen (Reprodução/Redes sociais)

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Um dos crimes mais chocantes ocorridos no Brasil segue dando o que falar mais de 20 anos depois. Detalhes sobre o assassinato do casal Richthofen, em 2002, voltaram à tona depois que Suzane Richthofen, de 40 anos, condenada pelo crime, se tornou mãe. De acordo com o jornalista Ulisses Campbell, autor de livros sobre a trajetória da ex-presidiária, ela acusou o pai de estupro e, com isso, conseguiu manipular o ex-namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, a ajudá-la a matar os genitores.

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A revelação de Campbell foi feita em entrevista ao canal no YouTube “Na Real”, de Bruno Di Simone. Uma prévia da conversa foi divulgada com exclusividade pela colunista Fábia Oliveira, do portal “Metrópoles”. A íntegra deve ir ao ar nesta quinta-feira (1º).

Segundo a colunista, Campbell garante que Suzane fez um “jogo de manipulação” e, com isso, conseguiu enganar Daniel Cravinhos sobre um suposto crime que nunca ocorreu. Dessa forma, acreditando que a então namorada era abusada por Manfred Richthofen, ele chamou o irmão, Cristian Cravinhos, e eles cometeram os assassinatos.

“Por isso que ele [Daniel] é quem mata o Manfred, com ciúmes dele ter abusado da namorada. Foi um jogo de manipulação onde ela [Suzane] saiu ganhando”, disse Campbell na entrevista, ressaltando que a queixa de assedio era falsa e apenas uma forma que ela usou para controlar o ex-namorado.

Conforme Campbell, Suzane tentou convencer Daniel a ajudá-la no crime e ele concordou inicialmente. Porém, depois que chamou Cristian para participar, o rapaz desistiu. Foi aí que Suzane recorreu à acusação sobre o falso estupro para sensibilizar os irmãos e para deixar claro que ela e Daniel só teriam um futuro juntos com a morte do casal Richthofen, uma vez que eles eram contra o relacionamento.

Depois que foi preso pelo crime, Daniel comentou que Suzane passou a usar drogas e que criou uma certa obsessão pelo tema do assassinato dos pais. Ela dizia que eles eram muito controladores e passou a dizer que era abusada sexualmente pelo pai. Porém, a história do estupro nunca foi comprovada pelas investigações.

“Ela usou essa cartada, mas eu acho que eram duas almas doentes que se encontram. Por mais que a pessoa seja a maior manipuladora do mundo, eu acho, que se você tiver uma régua pra medir essa manipulação, alcança um grau muito elevado, mas não a ponto de uma pessoa cometer um crime, um assassinato. Ela manipulou, mas o Daniel [Cravinhos] já era uma mente assassina”, frisou Campbell.

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Suzane ao lado do irmão, Andreas, e dos pais: Marísia e Manfred

Relembre o caso

Segundo a Justiça, Suzane Richthofen planejou a morte dos próprios pais e teve a ajuda do então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian Cravinhos, para a execução do casal. O crime ocorreu no dia 31 de outubro de 2022.

Logo depois do início das investigações, a jovem foi presa. Em 2006, ela foi julgada e condenada a 39 anos e seis meses de prisão em regime fechado. No entanto, entrou com vários pedidos de revisão e conseguiu reduzir o tempo para 34 anos e 4 meses de prisão. A previsão é que ela, que está em regime aberto desde o início deste ano, cumpra a sentença no dia 25 de fevereiro de 2038.

A primeira vez que Suzane deixou a Penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, no interior de São Paulo, foi em março de 2016, depois de conquistar o regime semiaberto e ter direito a uma saída temporária de Páscoa. Em setembro do ano passado ela obteve mais uma “saidinha temporária”, quando chamou a atenção por conta da aparência. Bem vestida, ela virou alvo de várias publicações nas redes sociais.

Ela tentava obter a progressão desde 2017 para o regime aberto, mas até então todos os pedidos tinham sido negados. No início de 2023, ela finalmente conseguiu o benefício.

Depois que saiu da prisão, Suzane passou a morar em Angatuba, também no interior de São Paulo. Além de cursar biomedicina em uma faculdade particular, ela também prestou o concurso público da Câmara Municipal de Avaré, visando uma vaga como telefonista.

Além disso, abriu um cadastro de Microempreendedor Individual (MEI) no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Angatuba para seu ateliê de costura. Agora, vive com o namorado, o Médico Felipe Zecchini Muniz, em um condomínio em Bragança Paulista e se tornou mãe.

Ela deu à luz o primeiro filho no último dia 26 de janeiro, em um hospital de Atibaia, também no interior paulista, onde o médico trabalha. Para evitar o assedio, foi montada uma verdadeira “operação de guerra” na unidade de saúde, com ameaça de demissão aos funcionários que vazassem a informação sobre o parto.

Atualmente, Daniel Cravinhos cumpre pena no regime aberto. Já Cristian, que também foi condenado pela morte do casal Richthofen, segue em regime fechado no Presídio de Tremembé, no interior paulista. Ele chegou a obter a progressão ao regime aberto, mas voltou a ser preso em 2018, após tentar subornar policiais militares.

Casal mora no interior de SP
Médico Felipe Zecchini Muniz e Suzane Richthofen se conheceram pela internet e agora são pais de um menino (Reprodução/Redes sociais)

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