Foco

Famoso nutrólogo condenado por abuso sexual em clínica de luxo de SP tem pena aumentada

Abib Maudaun Neto já está preso há três anos por crimes contra ex-pacientes e uma ex-funcionária

Defesa diz que vai recorrer

A Justiça revisou a condenação do famoso nutrólogo Abib Maldaun Neto, que responde por violação sexual mediante fraude cometida contra ex-pacientes e uma ex-funcionária, entre 1997 e 2020, em uma clínica de luxo nos Jardins, em São Paulo. O médico, que já está preso há três anos, teve a pena aumentada de 18 anos e seis meses para 24 anos e dois meses de reclusão.

De acordo com o site G1, a primeira condenação ocorreu em janeiro deste ano, mas o Ministério Público recorreu. Assim, em audiência realizada na quinta-feira (30), na 14ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, a pena foi agravada em mais seis anos, além de estabelecer o pagamento de multa no valor de R$ 100 mil para cada vítima.

A defesa do nutrólogo foi procurada e disse que não concorda com a decisão judicial. Dessa forma, irá recorrer da decisão.

Maldaun Neto está preso preventivamente desde dezembro de 2020, depois que foi denunciado por mais de 20 pessoas por violação sexual mediante fraude, por utilizar artifícios que dificultam a manifestação das vítimas. Em um dos casos, o crime foi praticado 15 vezes, segundo a condenação.

O nutrólogo negou várias vezes os crimes durante depoimento em juízo, mas confirmou que chegou a manipular os clítoris de pacientes em seu consultório “durante exames clínicos de rotina”. Segundo ele, o objetivo era verificar efeitos colaterais pelo uso de hormônios.

Apesar de já ter uma condenação de um processo que foi iniciado em 2014, ele continuava clinicando ao longo dos anos. Em abril de 2021, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cassou de forma definitiva o registro do nutrólogo. A decisão foi referendada pelo Conselho Federal do Medicina (CFM).

Denúncias

De acordo com vítimas, o médico as mandava tirar a roupa e deitar, e então passava a apalpar as partes íntimas das pacientes durante o suposto exame. Elas diziam que as consultas eram longas, quando o nutrólogo fazia várias perguntas sobre a vida sexual delas e ainda, em alguns casos, realizava o toque de vagina.

À Justiça, o médico alegou que as pacientes a procuravam, a partir de indicações, para tratamentos que prevenissem o envelhecimento celular com o uso de antioxidantes e estimulasse o emagrecimento com medicamentos que promoviam “ativação metabólica maior”.

Por conta do uso dos remédios, algumas das pacientes apresentavam “efeitos colaterais” e, para atestar a condição, ele precisava introduzir os dedos em suas vaginas para confirmar “se tinham lubrificação” e, com isso, ele poderia avaliar casos de “ereção clitoriana indesejável”. Ele também usava o mesmo método para verificar se as mulheres tinham quadro de candidíase.

O nutrólogo ressaltou que sempre teve a devida autorização das pacientes e que as consultas eram acompanhadas por enfermeiras. Porém, tanto as vítimas quanto as profissionais que atuavam na clínica negaram essa versão. Entre as mulheres abusadas, está uma ex-funcionária do médico.

LEIA TAMBÉM:

Tags

Últimas Notícias


Nós recomendamos