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Foco 22/04/2021

Coriza, espirros e irritação na garganta: quem se identifica? Típicas doenças de outono agora se confundem com covid-19

Oscilação de temperatura e queda da umidade relativa do ar propiciam o agravamento de doenças, cujos sintomas se parecem muito com os do novo coronavírus

Desde criança Felipe Silveira sofre com crises de rinite. Coriza, irritação na garganta e no nariz, além de espirros, são sintomas frequentes. “Quando a crise é muito forte, os olhos coçam bastante e a irritação na garganta e nariz se intensificam”, conta o analista de TI (Tecnologia da Informação), hoje com 32 anos.

Felipe lembra que, no passado, a doença costumava se potencializar na mudança de estação. “Recentemente, como temos trocas bruscas de temperatura, ela pode atacar a qualquer momento”.

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A pedagoga Karen Castro, de 25 anos, guarda na memória idas constantes a hospitais e médicos por conta de sua rinite, que também a acompanha desde pequena. Além dos sintomas descritos por Felipe, ela acrescenta dor de cabeça e evolução do quadro para sinusite.

Com a pandemia da covid-19, o receio de estar contaminada pelo vírus se somou ao quadro já conhecido por ela. “Sempre que tenho sintomas normais de rinite ou resfriado logo fico com medo de estar com covid e não saber”, conta.

Karen, que já era cuidadosa, redobrou a atenção. “Não encosto mais em maçanetas ou botões de elevadores sem lavar a mão depois, utilizo bastante o álcool para desinfecção de superfícies e das mãos, mantenho distância de outras pessoas e utilizo máscara em todos os lugares para não colocar a saúde de ninguém e nem a minha em risco.”

Assim como Felipe, a mudança de clima é um momento de maior sensibilidade para Karen. E a percepção de ambos está correta: a oscilação do calor com as temperaturas mais amenas, especialmente à noite, e a queda da umidade relativa do ar – características do outono – propiciam o agravamento de doenças respiratórias e alergias. 

Sintomas parecidos, dúvidas instaladas

Rinite, bronquite e sinusite são inflamações bem comuns nessa época do ano e, muitas vezes, são confundidas entre si ou mesmo com doenças como resfriado e asma. Para piorar, o vírus da covid-19 também conta com sintomas semelhantes a essas mazelas, como tosse, coriza, febre e falta de ar. E agora: como identificar o que é uma das “ites” e o que é coronavírus?

“É realmente complicado diferenciar os sintomas e relacioná-los a determinada doença. Na dúvida, o ideal é que todos os pacientes que têm sintomas respiratórios sejam testados para covid-19 justamente por essa dificuldade”, diz José Tadeu Colares Monteiro, coordenador da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

O especialista afirma, contudo, que o mais importante é que pessoas que já têm doenças respiratórias crônicas mantenham seus tratamentos contínuos e de forma ininterrupta. “Pacientes asmáticos, por exemplo, precisam fazer a medicação inalatória diariamente, manter cuidados domiciliares, evitando contato com pó, poeira e substâncias de cheiro forte.”

Além da manutenção do bem estar dos pacientes, aqueles que contam com tratamento contínuo sabem como agir nas fases agudas da doença. “Eles já têm medicamentos de resgate nos casos de crise. Dessa forma, nesse momentos, não precisam buscar atendimento nas emergências”, aponta Monteiro.

Vacinação e prevenção: armas poderosas

Foto: Pexels / RF._.studio

A vacinação da gripe influenza é uma importante aliada da população e facilita muito na hora do diagnóstico preciso. “Se nós tivermos um bom percentual da população vacinada contra a gripe, vamos ter uma diminuição da circulação desse vírus e um número menor de pessoas com esse quadro, consequentemente. Pessoas com sintoma típicos das duas doenças – gripe e covid-19 – que já estiverem vacinadas contra a primeira terão a doença descartada, uma vez que já estão imunizadas”, diz Wladimir Queiroz, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da faculdade de Ciências Médicas de Santos.

Queiroz lembra que, mais do que nunca, as pessoas devem se precaver de doenças de outono, uma vez que a forma de se prevenir é a mesma para o novo coronavírus. “Usar máscaras, evitar aglomerações, se manter em ambientes ventilados e fazer a higiene constante das mãos são medidas fundamentais. Todos esses métodos vão ajudar a reduzir gripes, resfriados e a própria covid-19.”

Confira alguns dos problemas respiratórios mais comuns:

Asma – Inflamação e obstrução das vias aéreas. Seus sintomas são tosse, falta de ar, chiado, dor ou aperto no peito.

Bronquite – Inflamação dos brônquios. É marcada por tosse úmida, com catarro e secreção abundante.

Gripe – Infecção viral aguda causada pelo vírus influenza que acomete, especialmente, o sistema respiratório. A febre é o sinal mais proeminente. Os sintomas respiratórios mais comuns são coriza, rouquidão e dor de garganta. Além da febre, os demais sintomas sistêmicos frequentes são mialgia, calafrios, mal-estar geral, apatia, fadiga e dor de cabeça.

Resfriado – Infecção viral que afeta o sistema respiratório. Os sintomas do resfriado são mais leves e duram menos tempo que a gripe – em média, quatro dias. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo, febre baixa e dor de garganta leve.