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O medo leva ao silêncio de vítimas de estupro no Brasil. É o que constata um levantamento dos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão. A pesquisa mostra que uma em cada três mulheres teria receio de expor a violência sexual sofrida. Das participantes do estudo, apenas 68% responderam que denunciariam o crime com certeza. Das que teriam algum tipo de medo de denunciar, 23% provavelmente informaria para uma pessoa próxima, enquanto 9% não contaria para ninguém.

São variados os motivos apontados entre as que esconderiam o fato. O mais citado, com 66%, é o constrangimento em expor o ocorrido. A cobertura da pesquisa é nacional e as entrevistadas possuem 16 anos ou mais.

De acordo com a socióloga e diretora do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, a pesquisa mostra que as mulheres convivem frequentemente com o medo da violência sexual. “No total, 53% das pessoas que participaram do estudo afirmaram conhecer uma mulher que já passou por essa situação. Infelizmente, é comum.”

Sobre o receio de expor o crime, Maíra aponta que a falha está nas “portas de saída”, expressão utilizada para estudar os caminhos da denúncia. “Os serviços de apoio, saúde e segurança pública têm muito o que melhorar no acolhimento da vítima. Uma mulher que sofreu esse tipo de violência fica machucada emocionalmente e fisicamente. Muitas vezes, a sensação de impunidade também as afasta da denúncia”, explicou.

Outro dado que agrava ainda mais a situação é que apenas 7% dos municípios brasileiros possuem uma Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Confira mais informações abaixo.

Oito minutos

A pesquisa também constatou que 95% das mulheres temem sofrer violência sexual. Deste número, 78% convivem com muito medo.

O temor tem explicação. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, com base em dados de 2019 das Secretarias Estaduais de Segurança Pública, um estupro ocorre a cada 8 minutos no Brasil. Foram 66.123 casos de violência sexual no ano passado. Entre todas as vítimas,  85,7% eram do sexo feminino e 57,9% tinham no máximo 13 anos.

Outra informação é ainda mais preocupante: o número cresceu desde 2015, quando foi registrado um estupro a cada 11 minutos.

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