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Em ‘O Beco do Pesadelo’, Guillermo del Toro troca fantástico pelo ilusionismo

Filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, após perder força na temporada de premiações

Após muita expectativa, “O Beco do Pesadelo” chega enfim aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (27). O novo longa de Guillermo del Toro começou a corrida para o Oscar 2022 como uma das principais apostas às indicações de Melhor Filme, mas foi perdendo força ao longo do caminho.

A história se passa na década de 1940 e segue Stanton Carlisle (Bradley Cooper), um ambicioso trabalhador de um parque de diversões itinerante. Ele aprende alguns truques de telepatia com um casal e descobre seu talento para manipular as pessoas através das palavras.

Stan se apaixona por Molly (Rooney Mara), que faz performances de eletricidade. Juntos, eles partem para Nova York, onde pretendem ganhar dinheiro e fama pela elite da cidade. Lá, eles conhecem Lilith (Cate Blanchett), uma psiquiatra ainda mais perigosa que eles.

O filme é uma adaptação do livro de William Lindsay Gresham, que recebeu o nome de “O Beco das Ilusões Perdidas” no Brasil. A obra conta com 22 capítulos e foi lançada no ano passado pela editora Planeta, após o anúncio do filme.

Mas essa não é a primeira fez que a história de Gresham vai para o cinema: um ano após o lançamento do livro, em 1946, a obra foi adaptada pelo britânico Edmund Goulding. Na época, o longa veio para cá com o nome “O Beco das Almas Perdidas” - sim, um terceiro nome.

Embora mantenha o tom sombrio, aqui Guillermo del Toro troca o fantástico - uma marca de suas obras - pelo ilusionismo. Ele escolhe começar a história um pouco antes do ponto de partida original, sinalizando questões do passado de Stan. Elas adicionam mais camadas ao protagonista, que tem seu destino selado desde o início do filme.

Com duração de 2h30, o diretor escolhe seguir o livro e desenvolve bem a primeira parte - diferentemente do longa da década de 1940, que resolve o arco do parque itinerante em pouco mais de meia hora. Justamente por isso, o filme pode soar excessivamente longo.

Pouco a pouco, a narrativa vai deixando a magia circense desfalecer, assumindo um tom mais sério e até mesmo pessimista, conforme avança por Nova York.

Do trio protagonista, formado por Bradley Cooper, Rooney Mara e Cate Blanchett, a última se destaca: seu magnetismo é capaz de envolver o espectador até mesmo em situações de moral duvidosa. Mesmo assim, Cooper e Mara também se destacam em seus papéis e entregam boas atuações.

Além dos três já citados, também estão no elenco Toni Collete, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Ron Perlman e David Strathairn.

Del Toro fora do Oscar?

Um dos motivos para esse enfraquecimento na temporada de premiações está no fato do longa ter estreado somente em dezembro, no Alice Tully Hall (Nova York), após os grandes festivais de cinema de 2021. O filme interrompeu sua produção na metade, em março de 2020, por conta da pandemia de covid-19, o que fez com que levasse quase dois anos para ser concluído.

Além disso, também faz parte do “catálogo de transição” da Disney, após a compra do conglomerado Fox em 2019. Com a aquisição, a nova empresa ficou responsável por distribuir os filmes que já estavam em produção, como “A Crônica Francesa”, de Wes Anderson - que, mesmo estreando em festivais, também perdeu fôlego na corrida.

Por outro lado, longas como “Amor, Sublime Amor”, de Steven Spielberg, e “Os Olhos de Tammy Faye”, do comediante Michael Showalter, parecem ter conseguido driblar esse contratempo. Ambos estão obtendo bom reconhecimento nesta temporada.

O nome do diretor - e o elenco de peso - garantiram 76 indicações e 14 vitórias, até o momento. Mas como é perceptível pelas conquistas até agora, o mais provável é que chegue ao Oscar para concorrer apenas a algumas categorias técnicas, ficando de fora das indicações principais.

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Assista ao trailer de “O Beco do Pesadelo”:

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