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Sylvester Stallone aposta na emoção do personagem em ‘Rambo: Até o Fim’

Sylvester Stallone é um ator à prova de balas que, aos 73 anos, continua fazendo filmes de ação. Disposto a esticar a história de Rambo até sua aposentadoria, o astro estreia nesta quinta-feira (19) “Rambo: Até o Fim”, a quinta produção da franquia que começou em 1982 com “Rambo: Programado Para Matar”.

No novo longa, o veterano ainda tem o bíceps que o tornou famoso e segue nos dando toneladas de brigas e violência. O primeiro longa, de 1982, apresentou John Rambo ao mundo, um ex-soldado das forças especiais marcado por suas experiências no Vietnã.

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O filme foi um sucesso de bilheteria e levando a uma sequência em 1985, “Rambo 2: A Missão”, e “Rambo 3” em 1988. Vinte anos depois viria “Rambo 4” e, agora, “Até o Fim”. O personagem de Sly, então tranquilo vivendo em sua cabana, precisa sair da calmaria para enfrentar cartéis mexicanos após o sequestro de sua sobrinha.

Em uma entrevista exclusiva ao Metro Jornal, Stallone fala sobre sua paixão por atuar, as razões por trás de reviver o personagem e por que ele não quer que suas filhas sigam seus passos na indústria cinematográfica.

No começo, Rambo contou a história de muitos soldados veteranos do Vietnã que voltaram para casa com síndrome pós-traumática. Você acha que o Rambo representa todos eles?

Ele obviamente representa os veteranos do Vietnã e, naquela época, sua doença não era levada muito a sério. Acho que Rambo representa todos os jovens soldados. É algo sobre o qual conversamos intensamente e devemos continuar falando.

Rambo não tem uma família própria, mas através de sua sobrinha, vemos ele se abrindo sobre seus sentimentos. Como você conseguiu essa ideia no script?

A verdade é que John não tem capacidade para cuidar de um animal de estimação. Ele não pode se concentrar em nada além de si mesmo. É por isso que essa história é tão profunda: é a primeira vez que vemos o personagem se abrir, se preocupar com outra pessoa e demonstrar amor. Eu sempre pensei que Rambo na adolescência – adoraria que alguém fizesse um prequel – era a melhor pessoa que você poderia encontrar; o cara mais popular da escola, um superatleta, mas a guerra o mudou.

Por que você decidiu filmar outra sequência de Rambo?

Tentei incorporar o que as outras pessoas sentem pelo personagem. Quando não resta mais nada e você arranca completamente o coração de um homem, enfrentamos alguém que é levado por seus impulsos primitivos e sua raiva. No entanto, entendemos que o que ele realmente quer é ser amado.

O filme é muito violento. Quais foram as suas conversas com o diretor sobre o que era apropriado para mostrar e o que não?

Existe a violência de Hollywood que aparece nos anúncios da Budweiser e, em seguida, a violência real. Queríamos mostrar as consequências da guerra e a realidade desses soldados que nunca superam o trauma de se comprometerem com a guerra, porque vivem condenados por essa promessa. É horrível, mas não quero mentir sobre essa realidade. Se você vai assistir a um filme do Rambo, deve esperar que seja desconfortável quando se trata de mostrar assassinatos.

Você está incrivelmente bem. Como é sua preparação física?

Há toneladas de sorvete na minha dieta, mesmo que você não acredite em mim. Eu tento comer a mesma coisa todos os dias. Chamo isso de mentalidade de jóquei, porque quando eles treinam, eles procuram velocidade e energia, não músculos. Tento ingerir a mesma quantidade todos os dias para manter o corpo em seu ponto de energia. Mas eu não recomendo, porque parece muito bom, mas não é divertido.

Como você consegue o equilíbrio entre medo e admiração que Rambo desperta?

Ele não se vê como um herói, ele é um cara que reage aos ataques. Ele é um reacionário, uma máquina de matar. Tudo o que faz é não querer morrer e isso o torna incrivelmente perigoso. Mas ele não gera a luta. Acho que o personagem ainda está por aí por causa de sua complexidade, pois se ele fosse apenas um cara durão, teria entediado o público.

Voltando ao primeiro Rambo, nos anos 80, você já pensou na estréia que ele se tornaria um ícone por décadas?

Não, não mesmo. Achei tão ruim o filme quando o filmamos que eu queria comprá-lo. Não é uma piada. Ninguém acreditou em um personagem que atacou seu próprio país. Quando ele foi finalizado, cortamos de três horas para uma hora e trinta e cinco minutos, porque acho que os filmes do Rambo devem ser curtos. O que eu fiz foi editar 20 minutos e apresentei isso a uma sala cheia de estranhos na tentativa final de conseguir que um distribuidor comprasse. Foi um salto de fé, porque eu era um ator falido. De repente, com eles, descobri que o filme funcionava e que era o começo da história. Um começo terrível, mas essa é a história da minha vida, tudo que começa bem termina mal e o que não começa bem termina ótimo.

Você se considera um homem confiante?

Atores são pessoas inseguras. O motivo é muito fácil de entender: queremos melhorar constantemente e sabemos que, se você mostrar um excesso de confiança, terá mais frustrações.

Quanto de sua própria vida você incluiu no filme?  Você já intimidou os amigos de suas filhas como você faz com sua sobrinha?

Sim, claro. Eu os intimido o tempo todo, às vezes, sem querer, olho intensamente e uma das minhas filhas precisa me dar uma cutucada zangada. Então eles me perguntam por que eu faço isso e não sei o que dizer. Eles acham que sou mau, mas não posso evitar. Faço algo que é «o teste da mão que aperta». Vou cumprimentá-los e aperto bem a mão deles. Eu posso ver o rosto deles mudar de cor, e eles, que querem ser cães alfa, tentam se segurar. Eu me divirto muito fazendo isso. Quando você tem filhas, vive com medo delas, é algo constante e vejo minha atitude como uma espécie de loucura passageira, enquanto elas crescem.

Você está sentindo a sensação de ver suas filhas saindo de casa para estudar na faculdade, assim como Rambo com sua sobrinha.

Rambo nunca teve um ninho, então encarar a sensação da partida de sua sobrinha é muito estranho para ele. Ele não quer que ela vá para o mundo real, ele prefere que ela fique no rancho ao lado dele. Nenhum pai quer que seus filhos saiam porque não sabem o que pode lhes acontecer. Existem muitos perigos por aí. Vejo isso nas minhas filhas, não as deixo sair sem lanternas, sem cordas e sem uma frota de guarda-costas. É terrível.

Como um homem de ação pode viver cercado por mulheres em casa?

Não é fácil. Eu percebi que se elas tivessem mais músculos, eu estaria com problemas. Perco todos os argumentos, nunca estou certo, cada peça de mobiliário que escolho é a pior, muito curiosa e muito engraçada. É impossível estar cercado por cinco mulheres e não entender que você perderá toda vez que fizer algo ou abrir a boca. Percebi que sou um perdedor quando estou com elas.

Este é um filme próximo ao seu coração. Você já pensou em contar com uma de suas filhas em uma produção?

Elas sempre quiseram participar dos meus filmes, mas eu disse a elas que, nesse caso, era impossível porque elas se pareciam muito comigo. Não seria justo com o personagem. Eu disse a elas que, se querem ser atrizes, devem estar preparadas, porque é uma decisão incrivelmente difícil de tomar. Seu coração vai partir muitas e muitas vezes porque é uma indústria muito particular. Nesta profissão você é a mercadoria. Todos os atores devem estar preparados para passar temporadas no inferno.

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