A jovem Carolina Arruda, de 27 anos, que ficou conhecida por lutar contra a pior dor do mundo, passa por um novo tratamento que lhe dá esperanças de melhora. Cansada das dores crônicas há anos, ela chegou a realizar uma vaquinha em busca de uma eutanásia na Suíça. Em julho passado, no entanto, ela passou por uma cirurgia na Santa Casa de Alfenas, em Minas Gerais, quando teve eletrodos implantados no nervo do trigêmeo, que visam aliviar a compressão e, consequentemente, combater os sintomas.
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O médico André Mansano, que é especialista no tratamento de dores crônicas e pós-doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), foi quem desenvolveu essa técnica.
“O procedimento consiste na colocação de um eletrodo no nervo trigêmeo. Ele é, então, conectado a um gerador semelhante a um marcapasso, que emite impulsos elétricos específicos para inibir a dor do paciente”, explica o especialista.
Mansano lembra que realizou a técnica pela primeira vez em uma paciente que havia sido submetida a inúmeros tratamentos, entre cirurgias, radiofrequências e compressões por balão, tudo sem sucesso. Assim como Carolina Arruda, a paciente em questão também manifestava desejo iminente de encerrar a própria vida, pois não aguentava mais as dores constantes. “A paciente está, até o presente momento, há 2 anos e 4 meses, sem dor”, celebra o médico.
Após a realização da cirurgia bem sucedida, a técnica foi publicada na revista científica da Academia Americana de Dor Orofacial e apresentada no congresso mundial, em agosto de 2022, em Budapeste, na Hungria.
A neuralgia do trigêmeo é uma condição considerada rara, que afeta aproximadamente 4,3 pessoas a cada 100 mil. Uma das principais características da doença são dores crônicas e extremamente fortes, similares a choques elétricos constantes na região do rosto.
Tratamento de Carolina Arruda
A jovem segue em tratamento na Santa Casa de Alfenas, sob os cuidados do médico Carlos Marcelo de Barros, diretor clínico da unidade de saúde. Ele explicou que, após a instalação dos eletrodos, ela conseguirá utilizar o iPod para emitir impulsos elétricos para estimular o nervo e “reprogramar” a atividade anormal.
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Moradora de Bambuí, no interior de Minas Gerais, Carolina contou que sofre com a neuralgia do trigêmeo desde os 16 anos, quando ela estava grávida e se recuperava de dengue.
“A primeira dor veio quando estava sentada no sofá da casa da minha avó, tinha acabado de me recuperar de uma dengue. Era uma dor forte, fora do comum. Eu gritava e chorava. Tentei explicar o que era, mas não conseguia palavras porque nunca tinha sentido uma dor tão absurda. A princípio achei que seria uma dor de cabeça em decorrência da dengue”, relembrou ela.
Após anos de idas e vindas ao hospital sem respostas, ela teve o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo. Cansada de sofrer com as dores, mesmo passando por tratamentos, ela cogitou a eutanásia na Suíça.
Após ouvir sobre o caso de Carolina, o médico Carlos Marcelo entrou em contato com a jovem para apresentar novas opções de tratamento. Sendo assim, ela passou pela implantação dos eletrodos e agora obteve uma esperança de melhora.
Abusos sexuais
Recentemente, Carolina publicou uma série de vídeos em seu Instagram relatando que foi vítima de violência sexual desde a infância. A jovem ressaltou que a decisão de expor essa questão ocorreu depois que entendeu quem para tratar a dor física que sente, também precisa se curar na parte psíquica.
Segundo os relatos da jovem, um familiar cometeu a violência sexual dos 6 aos 12 anos dela. Além disso, em 2020, quando ela cursava medicina veterinária, um vizinho a “prendeu pelos braços” e tentou estuprá-la, mas ela conseguiu fugir.
Além disso, aos 13 anos, ela começou a namorar um jovem. Porém, o relacionamento também foi marcado por abusos, tanto físicos quanto psicológicos. Quando ela tinha 16 anos, engravidou e o rapaz queria que ela abortasse, mas Carolina optou por manter a filha sozinha.
Foi exatamente durante a gravidez que ela contraiu dengue e passou a sentir dores extremas. Após quatro anos, foi diagnosticada com a neuralgia do trigêmeo, doença conhecida por causar a “pior dor do mundo”.