Pelo segundo dia consecutivo, nesta terça-feira continuam os protestos na Venezuela em rejeição aos resultados eleitorais anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que declarou Nicolás Maduro como vencedor.
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As manifestações continuam em Caracas e em outras regiões do país, onde as pessoas exigem que o CNE publique os resultados das eleições, já que até agora, este organismo não os divulgou, alegando que seu site foi hackeado.
Líderes políticos da oposição exigem a publicação dos resultados, assim como os cidadãos, que em seus protestos, derrubaram estátuas de Hugo Chávez e de figuras como o Indio Guaiparo, que foram colocadas pelo governo.
As ONGs Foro Penal, Justicia, Encuentro y Perdón (JEP), Provea e Laboratório de Paz realizaram uma coletiva de imprensa nesta terça-feira e informaram que apenas nesta segunda-feira, 29 de julho, registraram pelo menos 11 mortes no contexto dos protestos. Dois dos falecidos eram adolescentes de 15 e 16 anos.

Entre as vítimas fatais, houve duas no estado de Zulia, duas em Yaracuy, mais uma em Táchira e outra em Aragua.
“Estamos preocupados com o uso de armas de fogo em manifestações”, informou o advogado Alfredo Romero, diretor do Foro Penal.
Há aqueles que apontam os chamados grupos coletivos como os atacantes armados em manifestações de rua. Esses grupos são compostos por indivíduos que geralmente se deslocam de motocicleta e são adeptos do governo.
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Vladimir Padrino López, ministro da defesa venezuelano, notificou nesta terça-feira que há um sargento falecido no estado de Aragua, 23 militares feridos e 25 policiais feridos. "Estamos diante de um golpe de Estado", disse o ministro, que garantiu que estão comprometidos com a paz, mas agirão com firmeza. Além disso, reiterou sua lealdade ao presidente Nicolás Maduro.
Prisões por protestos na Venezuela
Tarek William Saab, o procurador-geral da Venezuela, notificou que há 749 detidos, a quem ele chamou de criminosos.
Ele afirmou que "na Venezuela não há protestos, mas sim focos de violência". Ele mencionou que destruíram estátuas de Hugo Chávez, assim como outras no país, também incendiaram a prefeitura de Sotillo e a sede do CNE em Barcelona.
Os manifestantes são dispersados pela Polícia Nacional Bolivariana e pela Guarda Nacional.
Embora o Promotor se refira aos detidos como “criminosos”, nas redes sociais existem muitas denúncias, segundo as quais, são apenas pessoas exercendo seu direito de protestar, inclusive há quem diga que há detidos que não estavam manifestando, mas apenas passando pela rua. Existe um caso denunciado pelo partido opositor Voluntad Popular sobre a prisão de Rafael Enrique García, um jovem de 24 anos, que foi detido enquanto prestava serviço de transporte para um dos seus coordenadores políticos. Afirmam que ele não estava protestando.
O promotor afirmou que tudo o que está acontecendo na nação é devido a um plano, que o governo já havia alertado por parte da oposição.
Entretanto, nesta terça-feira, os venezuelanos continuam protestando, batendo panelas, saindo às ruas e também exigindo através das redes a publicação dos resultados das eleições presidenciais, afirmando que não acreditam no que foi anunciado pelo CNE de que Nicolás Maduro é o vencedor.