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Já planejou seu orçamento para 2022? Saiba como ficar no azul o ano inteiro

Cada estilo de vida vai ditar o que é certo e errado em termos financeiros, mas saber para onde vai o dinheiro é fundamental em qualquer cenário

Saiba como empreender e ter sucesso em 2022

O começo do ano é um momento propício para rever o orçamento e planejar os sonhos. Ao mesmo tempo, pode ser um período bastante turbulento em termos financeiros, após gastos com presentes de Natal, viagens de Ano Novo, IPVA (Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores), material escolar, entre outras contas que batem à porta com urgência.

Mas calma! O primeiro passo é tirar um tempo em meio à rotina e se organizar, como explica Fábio Gallo, professor de finanças na FGV (Fundação Getulio Vargas) de São Paulo. “O erro de muitas pessoas é acabar entrando em uma ‘bola de neve’, ou seja, já estão enroladas e não param para refletir.”

Os números assustam: quase 70% dos brasileiros gastam tudo ou mais do que recebem, segundo o I-SFB (Índice de Saúde Financeira do Brasileiro), divulgado pelo BC (Banco Central) e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) em julho de 2021. Por isso, conseguir visualizar com clareza quanto entrou e para onde vai o dinheiro faz toda diferença. “As pessoas normalmente pensam no valor bruto e se esquecem de contabilizar taxas, impostos, tarifas e juros. A conta não fecha, e o indivíduo chega ao fim do mês sem saber o motivo”, aponta Marc Lahoud, especialista em educação financeira, CEO e fundador da fintech QueroQuitar.

Colocando ordem na casa

Para sair desse ciclo, Gallo orienta começar pelo básico, entendendo qual o ganho líquido - ou seja, a quantia que de fato entra no banco - e quais os gastos. “A dica é começar elencando as despesas mais fáceis, ou seja, os gastos fixos, como aluguel e contas mensais. É preciso anotar tudo e, depois, vem a parte da organização, que pode ser feita em uma planilha ou mesmo em um dos apps de finanças hoje disponíveis”, orienta.

Uma dica muito importante: as anotações não devem ser sobre o que se está gastando hoje, e sim uma previsão até o fim do ano com base no seu comportamento passado. Puxar extratos bancários vai servir para que você analise os meses anteriores e não perca tempo. “Você pode criar colunas de todos os meses e nelas inserir o que costuma gastar e o que pretende gastar. Lembrando que há gastos e receitas que tem comportamento anual, como matrícula escolar e devolução do imposto de renda. Se for parcelar alguma conta, é importante que coloque mês a mês o valor das parcelas”, diz. “Esse pensamento vale até para presentes, por exemplo. Se você costuma presentear seu filho em algum mês específico, já coloque uma verba no período para isso. Quando chegar a hora, trabalhe com o valor que você estabeleceu”, completa Gallo.

Identificar as despesas passadas é fundamental para olhar para o futuro

Para se organizar, é preciso dividir as despesas em grupos da mesma natureza, como alimentação, custos da casa (contas de luz, água, aluguel, prestação do imóvel etc), chegando até os gastos mais variáveis, como lazer e doações.

Em seguida, o professor aconselha a pensar no chamado “ABCD”, que ajuda a entender o que é prioridade e o que, em uma emergência, pode ser cortado. Essa metodologia engloba quatro grandes grupos. São eles:

- A, de alimentação: são os gastos com comida que se tem dentro e fora de casa, como supermercado e feira;

- B, de básico: são todas as contas inerentes ao dia a dia, como água, luz, aluguel, escola, IPVA e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano);

- C, de contornável: é o que faz a vida ficar melhor, mas que pode ser elimindo. Trata-se de um “sinal amarelo”. Neste grupo entram serviços de streaming, academia e, quem sabe, até o carro, caso ele seja usado apenas para lazer;

- D, de desnecessário: são aquelas despesas que, após uma análise, você vai olhar e pensar “por que eu gasto com isso?”. Seria o caso de uma revista que você assina e não lê, uma academia que paga, mas não frequenta ou mesmo cartões de crédito que só te dão custos com anuidade. Trata-se de tudo o que você está pagando e não está usufruindo.

“Tendo tudo isso claro, todo o desnecessário pode ser cortado para pagar dívidas e, caso elas não existam, esse recurso pode servir para investir”, aponta o professor.

E por falar em dívidas...

Depois de mapear as receitas e seus gastos, pesquise suas dívidas pendentes e simule cenários de negociação, aconselha Lahoud. Desta forma, é possível planejar como e quando pagá-las, buscando sempre as melhores condições.

É importante começar a quitar pendências mais altas ou que tenham juros maiores, como cartão de crédito ou cheque especial. “Se você acabou adquirindo parcelas e dívidas desse tipo, priorize pagá-las primeiro, pois são as que têm taxas mais abusivas”, diz o especialista.

Aliás, não caia no erro de pagar uma dívida à vista para pegar o desconto usando o cheque especial. “Na maioria das vezes, esses juros são mais caros do que se pagar a dívida parcelada sem desconto”, comenta.

Ainda quanto ao parcelamento, Gallo diz que a decisão varia caso a caso. “É preciso fazer contas e ver se o desconto oferecido vale a pena. Se o desconto é maior do que renderia uma aplicação financeira, então vale”, orienta.

Objetivos e estilos de vida

Um orçamento bem feito tem um fim claro: concretizar sonhos. E conquistar o que se deseja muitas vezes exige mais disciplina do que um ótimo salário. “As pessoas com maior nível de bem estar são aquelas que vivem de acordo com o planejam”, assegura Gallo.

Definição do orçamento depende de cada estilo de vida

“Com um bom planejamento é possível estabelecer objetivos. Se a pessoa quer comprar um carro, por exemplo, ela vai cortar os gastos necessários pensando nesse fim e vai poder entender em quanto tempo conseguirá comprar o modelo almejado. Garanto que esta é uma forma mais rápida e fácil do que entrar em um financiamento”, diz.

O docente esclarece que não existe certo e errado quando o assunto é orçamento e que cada decisão tomada é muito particular. “Não existe fórmula, porque cada um vive de um jeito e tem uma prioridade. O importante é calcular a porcentagem que cada um dos gastos tem em relação a sua receita. Se você entende, por exemplo que seus gastos com casa representam 40% dos seus ganhos e só de celular você gasta 10%, é possível que se pergunte: é tudo isso mesmo que eu quero gastar com essa despesa? Lembrando que a resposta é variável. Cada um deve responder para si e para a sua família o que é mais adequado”, ressalta.

Uma outra opção interessante, segundo o professor da FGV, é somar o que se ganha por ano e dividir por 365 dias. “A partir daí, faça a conta de quanto você gastou de celular por ano e vai entender quantos dias você precisou trabalhar só para arcar com essa despesa. Assim, será possível avaliar se vale ou não a pena.”

Quanto reservar?

Gallo diz que todos devem pensar em ter uma reserva. Em linhas gerais, a ideia é ter guardado pelo menos de três a seis meses de sua renda mensal para uma emergência. “No entanto, vale dizer que a maioria dos brasileiros não consegue fazer isso, mas esse seria o cenário ideal. O que se pode fazer para alcançá-lo é cortar o desnecessário e criar no orçamento uma despesa fixa para a sua reserva.”

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O professor diz ainda que, além de apenas guardar, o interessante é se preparar para investir, sempre pensando na relação risco-retorno. “A regra é: quanto menos dinheiro você tiver, mais cauteloso você precisa ser. Além disso, na hora de investir, é preciso ter duas coisas em mente: prazo de retorno e importância daquele dinheiro. Quanto mais importante, menos risco se deve correr.”

Gallo lembra que economizar e investir é como fazer regime ou ginástica: quase sempre é contra a vontade do ser humano. “São atos de sacrifício, mas os benefícios são reais e compensam muito.”

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