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/ SÃO PAULO, SP, 17.04.2021 - Sepultamento no cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, o maior da América Latina, na manhã deste sábado (17). (Foto: Karen Fontes/iShoot/Folhapress) / SÃO PAULO, SP, 17.04.2021 - Sepultamento no cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, o maior da América Latina, na manhã deste sábado (17). (Foto: Karen Fontes/iShoot/Folhapress)
Foco 01/06/2021

Covid-19 já é um terço de mortes por doenças

Um terço das mortes por doenças ou problemas de saúde nos quatro primeiros meses do ano foram causadas pela covid-19. Os dados, divulgados ontem pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), compreendem 15 semanas epidemiológicas, entre 3 de janeiro e 17 de abril.

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Neste período, foram registrados 531.511 óbitos pelas chamadas causas naturais, sendo 175.953 (33,1%) por complicações da infecção pelo novo coronavírus. Na 15ª semana, os óbitos por covid-19 chegaram a 51,5% do total – ou seja, morreram mais pessoas pela doença do que por todas as outras somadas.

O levantamento, feito em parceria com a Vital Strategies, organização de saúde pública, e a Arpen (Associaçnao Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), aponta ainda que o número mortes por causas naturais no período foi 64% acima do esperado.

Nas 15 semanas, foram 531.511 óbitos por doenças ou problemas de saúde, bem acima dos 328.665 previstos.

Esse excesso de mortalidade de 211,8 mil pessoas, segundo o Conass, corresponde a 77% de todos os óbitos acima do esperado de 2020 (275,6 mil pessoas). E é consequência direta da pandemia.

“Esta comparação dá uma dimensão do enorme impacto da pandemia de covid-19 no país já nos primeiros meses de 2021”, afirma o assessor técnico do Conass Fernando Avendanho. O órgão aponta que, além da crise sanitária, o atraso em diagnosticar e tratar outras doenças e a demanda crescente por serviços de saúde também contribuíram para essa alta. 

“O excesso de mortes vem crescendo entre a população de até 59 anos e se mantido maior entre os homens”, aponta a epidemiologista Fatima Marinho, da Vital Strategies. “São mortes evitáveis, que certamente não ocorreriam se não houvesse uma epidemia desta proporção em curso.”