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Ilustração de célula cancerígena / Getty Images
Foco 26/04/2021

Queda em diagnósticos de câncer chega a 77% no Brasil

Por : Metro com Rádio Bandeirantes

Além de tirar a vida de mais de 380 mil brasileiros desde o começo da pandemia, a covid-19 também afetou o número de diagnósticos da doença que mais mata no Brasil todos os anos: o câncer. Desde o início das contaminações do novo coronavírus, em março de 2020, a quantidade de novos casos de câncer caiu 77% em comparação com 2019.

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Se em outubro de 2020, quando o número de diagnósticos tinha diminuído 70%, o principal motivo era o medo da população em ir ao médico por causa do contágio do vírus, agora o panorama mudou. E para pior.

Com a severa segunda onda da pandemia no Brasil, iniciada em janeiro deste ano em Manaus (AM), os hospitais ficaram superlotados e a rede de saúde entrou em colapso em diversos estados, com falta de medicamentos e leitos para pessoas com covid-19 e outros pacientes. Ou seja, o receio de ir ao médico foi substituído pela falta de estrutura e profissionais nas unidades de saúde como principal motivo para a queda nos diagnósticos de câncer.

Foi o caso do empresário Rafael Vitalli, de 34 anos, que começou a sentir algumas dores no pé, aparentemente normais. Seus exames foram remarcados porque os hospitais estavam evitando pacientes que não apresentavam sintomas de covid-19.

Com isso, o diagnóstico do câncer demorou para ser descoberto, o que prejudicou o tratamento. “Foi um balde de água gelada, porque eu nem esperava. Só que quando a gente foi começar o tratamento, antes, no começo deste ano, esse tumor era bem pequeno, do tamanho de uma azeitona. Só que com a pandemia, tudo fechado e os hospitais evitando receber casos que não eram urgentes, quando começamos de fato o tratamento [o tumor] já era do tamanho de uma laranja”, contou Vitalli, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Com a demora no diagnóstico, o tratamento também mudou. O que seria uma rápida cirurgia de remoção do tumor, foi transformado em procedimentos ainda mais agressivos para o organismo com rádio e quimioterapia.
O caso de Vitalli é um exemplo prático do que aconteceu com mais da metade dos pacientes com câncer que atrasaram tratamento por conta da pandemia.

Segundo estudo do Hospital Sírio-Libanês com a OMS (Organização Mundial da Saúde), os médicos relataram que em 60% dos casos houve atraso no diagnóstico.

Por causa da pandemia, os recursos que antes eram destinados para o tratamento do câncer foram redirecionados para pacientes com coronavírus. A demora na identificação do tumor prejudica os pacientes oncológicos, afirma a coordenadora da pesquisa, Rachel Riera.

“Quais são as consequências que a gente espera desse atraso no diagnóstico? O paciente vai ter um tratamento iniciado mais tardiamente em uma fase mais avançada da doença e, com isso, ter uma menor sobrevida ou menos probabilidade de ter uma boa resposta ao tratamento”, explicou a pesquisadora.

Em 2019, o câncer tirou a vida de 232 mil brasileiros. Nas mulheres, o mais fatal foi o de mama. Nos homens, os localizados em traqueias, brônquios e pulmões foram os que mais causaram mortes.