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Um levantamento realizado pela Abstartups (Associação Brasileira de Startups) revelou que o País conta atualmente com 13.400 empresas do tipo. São Paulo é o polo que mais concentra esse modelo de negócio, em evolução ano após ano. Para se ter uma ideia, em 2015 foram contabilizadas 1.320 startups. No ano passado, o número já havia saltado para 3.934.

Jovens em especial têm voltado os olhos às oportunidades que surgem com essa expansão. O motivo não é meramente a oferta de vagas, mas também a busca por um ambiente diferente do tradicional. “Se antes nossos pais sonhavam com uma carreira sólida em uma grande empresa e estabilidade financeira, a nova geração já tem conceitos distintos em mente. A estabilidade abriu mão para a liberdade criativa”, diz José Muritiba, diretor executivo da Abstartups.

Essa atração é comprovada em números. No último mapeamento que realizamos pela entidade, em outubro de 2020, 70,5% das startups declararam não possuir colaboradores acima de 50 anos em seu time operacional. Se analisarmos a idade dos fundadores, 55,8% tinham entre 20 a 35 anos.

Criatividade e mão na massa

Uma característica comum entre os colaboradores de startups é a motivação em relação ao projeto. “Especialmente nos primeiros anos de uma startup, existe um ambiente de incertezas e muita validação, por isso é fundamental que os colaboradores estejam engajados com as entregas e alinhados com a cultura do time, que costuma ser enxuto – 81,9% das startups no Brasil têm até 10 colaboradores. Vontade de aprender e testar coisas novas, ser multitarefas e ter visão estratégica são pontos fundamentais em um candidato”, explica Muritiba.

O diretor ressalta que experiências profissionais e fit cultural valem mais em um processo seletivo do que necessariamente uma formação acadêmica. Até porque, muitas funções nesse tipo de empresa não estão necessariamente atreladas a um curso específico.

Além disso, algumas soft skills são fundamentais, como comunicação eficaz, pensamento criativo, resiliência, empatia e ética. Um espírito empreendedor também ajuda – e muito. “Ter um perfil que entende o ecossistema de startups, os agentes que a compõem e como funcionam as particularidades do modelo de negócio são pontos positivos para um candidato”, diz Muritiba.

Starups costumam ainda adotar gestões horizontais, especialmente pelo baixo número de colaboradores no time. “Por conta da equipe enxuta, é comum o trabalho em times multidisciplinares e existe uma autogestão grande de cada colaborador”, afirma o representante da Abstartups.

Palavra do mercado

A Aktie Now, startup de tecnologia voltada ao atendimento ao cliente, busca preencher suas vagas disponíveis com profissionais que queiram crescer, aprender, gostem de desafios e que estejam alinhados com os valores da empresa. “Confiança, transparência, comprometimento, interdependência, humanização das relações e adaptabilidade são características que valorizamos”, afirma Carolinne Romano, Head de Recursos Humanos.

Carolinne explica que, na hora da contratação, a balança tende a pender para o lado comportamental. “As questões técnicas também são importantes, claro, mas ter um profissional alinhado aos nossos valores é algo que costuma se destacar em meio aos nossos processos seletivos.”

A gestão horizontal é uma marca da empresa. “Absolutamente todos os colaboradores têm acesso direto aos líderes de área e também ao CEO da empresa. Entendemos que essa troca é vantajosa para todo mundo. Nenhum líder, por mais inteligente e capacitado que seja, é detentor de um conhecimento absoluto”, afirma.

Já para a escola corporativa Sputnik, empatia,  escuta ativa e inteligência emocional são habilidades muito valorizadas na hora de escolher um novo colaborador para o quadro.

Na startup, o conceito de liderança é chamado de circunstancial. “Para cada projeto temos lideranças rotativas, o que permite formar mais pessoas dentro da equipe. Não existe um líder fixo, mas lideranças que vão circulando, fazendo com que o trabalho fique mais fluído, colaborativo e produtivo”, afirma Jean Rosier, co-fundador e professor da Sputnik.

Para Rosier, a migração de um modelo mais tradicional de trabalho para uma startup é possível, desde que o mindset também migre. “Para essa troca, é fundamental entender que na maioria das vezes as práticas serão diferentes, o ritmo, a velocidade na tomada de decisão e o ambiente serão atípicos. Agora, com cabeça aberta, esforço e adaptação intencional, tudo é possível.”

Por sua vez, a Skore, plataforma de aprendizagem para empresas, busca profissioanais dotados de características como colaboração, comprometimento e curiosidade.  “Temos uma cultura colaborativa e voltada à aprendizagem. Somos apaixonados por aprender e por compartilhar nosso conhecimento”, diz Cibele Stefani, Head of Talent Experience.

Para a gestora, ter o sentimento de dono do negócio é, sem dúvida, uma característica determinando para o candidato que quer se destacar. “Prezar pelo crescimento da organização é um diferencial para ser bem-sucedido em qualquer startup. Além disso, um perfil empreendedor costuma ter menos aversão ao risco. Isso permite que a empresa seja mais criativa na hora de encontrar soluções para os problemas cotidianos”, aponta.

Na Skore, o fit cultural também é prioridade. “Experiências adquiridas ao longo da trajetória e o fit com nossos valores são determinantes. Se você é formado em gastronomia, mas é aderente a nossa cultura, sabe aplicar conceitos e obter resultados em marketing digital, por exemplo, queremos você com a gente”, afirma Cibele.