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‘Farei oposição a esse governo’, disse Dilma para imprensa internacional

A presidente cassada Dilma Rousseff disse, em entrevista para a imprensa internacional no Palácio da Alvorada, que fará oposição ao governo de Michel Temer (PMDB), independente de onde esteja. “O projeto que estão tentando aplicar no Brasil não teve votos para que ele fosse realizado”, afirmou. Ao lado de um de seus advogados, José Eduardo Cardozo, a petista citou a fragilidade jurídica e o grande impacto político do processo que a levou a perder o mandato.

“Se ele [Temer] se dá o direito de usar a condição de vice para assumir a presidência, ele também tem que cumprir o mandato que ganhou nas urnas”, diz Dilma sobre o programa do governo Temer, que, para ela, é ilegítimo.

Dilma caracterizou a decisão do Senado como golpe parlamentar e apontou a “inconformidade dos golpistas com a palavra golpe”. “Tenta-se de todas as maneiras evitar que fique claro o caráter desse processo”.

Para a presidente cassada, Temer fez pressão nos senadores que estavam indecisos a respeito do voto que dariam no processo de impeachment dela quando assumia o governo interinamente.

A petista voltou a dizer que não cometeu crime de responsabilidade e citou que seu governo sempre conviveu com as manifestações, mesmo quando contrárias.

Dilma disse que irá semana que vem para Porto Alegre e poderá ficar um pouco no Rio de Janeiro, onde mora sua mãe.

Janaína Paschoal

Dilma Rousseff disse que não respeita “uma pessoa capaz de falar um coisa como ela falou”, se referindo ao pronunciamento da advogada de acusação Janaína Paschoal, que pediu desculpas a presidente cassada pelo sofrimento que causou e disse ter participado do processo de impeachment pensando, inclusive, nos netos de Dilma. “Para os meus netos, quero um país democrático e cheio de oportunidades”, apontou a petista. “Eles terão, mas não por causa da Janaína”.

Cardozo

O advogado de Dilma José Eduardo Cardozo afirmou durante a entrevista à imprensa internacional que Antonio Anastasia acrescentou uma nova acusação ao relatório, o que anularia o processo, já que cerceia o direito de defesa.

Segundo Cardozo, Dilma estaria sendo condenado por débitos que ocorreram em 2014 e, por isso, teria cometido crime “ao tomar posse”.

O advogado afirmou que entrará com mandado de segurança por falta de princípio do processo legal e violação do direito de defesa e falta de motivo ou de justa causa para o impeachment.

Direitos políticos

Cardozo relembrou o processo de impeachment de Fernando Collor, no qual, segundo o advogado, a votação do impedimento e da cassação dos direitos políticos foram feitas separadamente. Na ocasião, o então presidente renunciou e, mesmo assim, ficou sem poder exercer a vida política por oito anos, já que as penas são distintas. “O rito é o mesmo”, concluiu.

O advogado citou ainda trechos de livros escritos pelos constitucionalistas Michel Temer e Gilmar Mendes nos quais eles dizem que o impeachment e a cassação dos direitos políticos são coisas distintas. “A decisão do Senado foi corretamente tomada”, afirmou Cardozo.

“Não acho que atenua o que fizeram. Acho que são detalhes e decorrências do que fizeram”, apontou Dilma.

Cardozo disse ainda que, juridicamente, não vê como se pode anular somente uma das decisões tomadas no Senado. Para ele, parlamentares recorrerem contra manutenção de direitos de Dilma “pode anular toda votação”, já que isso poderia influenciar no votos dos senadores.

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