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Foco 06/04/2015

Inflação em alta reduz ganho real de salários

Com a inflação em alta, já está mais difícil para o trabalhador brasileiro conseguir ganhos reais mais expressivos nas negociações salariais. Segundo dados preliminares da pesquisa do Projeto Salários.org.br da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), os acordos de março resultaram em um aumento de 0,91% acima da inflação, percentual inferior aos obtidos em fevereiro (1,31%) e janeiro (1,64%).

No mês passado, o aumento nominal médio obtido nas negociações foi superior aos dos meses anteriores, chegando a 8,31%. No entanto, a inflação também subiu e ficou 7,40%, o que resultou em um ganho real inferior a 1%.

O movimento de redução de ganhos reais nas negociações salariais já era esperado, afirma Hélio Zylberstajn, professor da faculdade de Economia da USP, pesquisador da Fipe e coordenador do projeto. Além da inflação elevada, diz, a desaceleração econômica também “rouba poder de barganha” dos sindicatos na hora da negociação salarial. “E essa é a tendência para o ano”, acrescenta.

Negociações mais difíceis

Na sua avaliação, caso a crise se aprofunde, é possível  que as próximas negociações abandonem a reivindicação por maiores reajuste salariais para buscar acordos de manutenção do emprego.

“Nas crises de 2008 e 2009, houve até redução nominal de salário. Para não haver demissão, é possível que comece acontecer, mais tarde, negociações com queda de salários”, afirma Zylberstajn.

Em janeiro, o valor médio do piso negociado foi R$935, ante R$1080 em dezembro e R$875 em igual mês do ano passado. O salário médio de admissão no país em fevereiro, chegou a R$1.199.

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