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Foco 06/04/2015

Apenas 2,5% do lixo produzido em São Paulo é reciclado

Cooperativa Chico Mendes recebe 120 toneladas de lixo por mês | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes

Cooperativa Chico Mendes recebe 120 toneladas de lixo por mês | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes

São Paulo, a maior cidade do país, produz 20 mil toneladas de lixo por dia. Desse número, somente pouco mais de 2,5% é reciclado.

A meta da prefeitura é aumentar isso em quatro vezes e subir para 10% a quantidade de lixo reciclado até o fim de 2016.

A medida ajudará o meio ambiente, além de gerar mais renda. E não é só plástico, metal, vidro que podem ser reciclados. Alimentos também podem ser aproveitados ao máximo e muita gente se esquece disso. Mas não o açougueiro Overlan Rodrigues Pereira, que já dizia: na vida, nada se perde; tudo se transforma.

A carne que seu açougue não vende vai para uma empresa que fabrica detergente, sabão e margarina. “Eles [donos da empresa] aproveitam tudo. Pelo quilo de sebo, eles pagam cerca de R$ 0,10. Pelo osso, R$ 0,06”.

Benedito Vicente dos Santos, que recolhe lixo reciclável para vender em um Ferro Velho, acha injusto o preço pago pelo material.  “Pelo papel branco, é pago R$ 0,15, sendo que ele é vendido por R$ 1,50. As pessoas do Ferro Velho ganham muito dinheiro”.

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Benedito tem uma filha e três netos. Ele sai de casa todos os dias às 6h, carregando nas costas uma carroça feita de madeira e arame, sustentada por dois pneus carecas. Seu sonho é comprar um terreno no interior.

“Eu vendo tudo, até resto de lata de tinta. Chegando lá [no Ferro Velho] a gente faz um bem bolado. Os funcionários misturam o ferro bom com o ferro velho e derretem tudo. Quando cai na forma, o cara que compra nem sabe”.

Benedito tem os cabelos brancos, a pele castigada pelo sol e as mãos cortadas. Isso porque, o trabalhador conta, ele pega calha, folha: “A gente se corta pra caramba”.

No distrito de São Mateus, zona leste de São Paulo, existe uma cooperativa em que 40 pessoas dividem os lucros do material separado para a reciclagem.

A presidente da cooperativa, Dulce Alvez de Andrade, deixou de ser costureira para montar o trabalho. “Sou presidente da Cooperativa de Reciclagem Chico Mendes e faço esse trabalho desde 1999. Essa foi a forma que descobrimos para gerar renda para as pessoas que estavam fora do mercado de trabalho. Nós pensamos na cooperativa também para a inclusão social”, disse.

A Cooperativa de Reciclagem Chico Mendes recebe 120 toneladas de lixo por mês. Mais da metade desse número vai para a indústria.

“Se o lixo que pode ser reciclado for para o aterro, fica 200 anos debaixo da terra sem se decompor. Aqui o lixo vai voltar a ser matéria prima e gerar renda para as pessoas”, afirmou Dulce.

A dona de uma bomboniere, Tânia Cristina Timpano, nem sempre vende toda sua produção, mas jogar material no lixo é só em último caso. “Pode ser feito alguma coisa de tudo o que sobra. Eu invento doces. Matéria prima não se joga fora”, declarou.

Além da comida, as embalagens também são reaproveitadas. Tânia guarda e entrega o material ou ao seu zelador, ou a seus porteiros. Isso porque não passa o caminhão que recolhe lixo reciclável na sua rua.

São Paulo tem 96 distritos, só que, menos da metade possui coleta seletiva.

Benedito Vicente dos Santos recolhe lixo reciclável para vender em um Ferro Velho | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes

Benedito Vicente dos Santos recolhe lixo reciclável para vender em um Ferro Velho | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes

Dulce deixou de ser costureira para montar cooperativa | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes

Dulce deixou de ser costureira para montar cooperativa | Caetano Cury/Rádio Bandeirantes