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Ex-presidente da Sabesp não acredita em rodízio drástico

Ex-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o consultor Gesner Oliveira não acredita na possibilidade da implantação de um «rodízio drástico» – que pode resultar em até cinco dias sem água por semana. O possível racionamento foi comunicado na terça-feira pelo diretor da estatal para a região metropolitana.

«Entendo a declaração do diretor como uma manifestação transparente, mais no sentido de mostrar a gravidade da situação (…) é preocupante, uma estiagem sem precedentes, mas a Sabesp está preparada para enfrentá-la», disse Gesner Oliveira em entrevista à BandNews FM.

Ele acredita ainda que só haverá risco de «rodízio drástico» se não funcionarem as medidas já adotadas (redução da pressão da rede, bônus e sobretaxa).

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Demanda

Gesner Oliveira, que pesidiu a Sabesp entre 2007 e 2010, disse ainda que a estratégia deve se voltar à redução da demanda. «Precisa haver um choque cultural, com campanha de uso racional da água. Tem efeito educativo a longo prazo, mas também imediato», apontou.

O ex-presidente defendeu a companhia. Segundo ele, os investimentos têm aumentado historicamente e o programa de redução de perdas de São Paulo é o maior do país – o desperdício da água, em alguns Estados, seria de até 40%.

Para ele, no entanto, a Sabesp precisa dividir a responsabilidade das ações de controle do uso da água com as prefeituras. «Precisa aplicar multa para quem lavar a calçada», afirma. Ele cita também a medição individualizada nos condomínios como mais uma maneira de racionalizar o consumo de água.

Água de reuso

O ex-presidente da Sabesp aposta na água de reuso (a partir do tratamento de esgoto) como alternativa futura. No fim do ano passado, a companhia já havia anunciado que vai incluir água de reuso na produção de água potável. Duas estações de tratamento – com capacidade para produzir 3 mil litros de água por segundo – devem ficar prontas até o fim de 2015.

Gesner Oliveira diz que o mesmo modelo já é usado em Israel e alguns países da Ásia e Europa. «O esgoto representa quase 100% da oferta de água em países como Israel. No Brasil, hoje, é menos de 1%», aponta.

Segundo ele, a indústria seria o «consumidor natural num primeiro momento». Ele explica que no Brasil 60% da água é direcioanda para agricultura, 30% para a indústria e apenas 10% para o consumo humano.

Se a indústria absorver a água de reuso, sobraria mais para o consumo humano, ele alerta. «Libera um volume grande para o consumo humano», conclui.

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