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Stefan Buchner: ‘Este país terá cada vez mais caminhões modernos e globais, como o Actros’

Em entrevista na 22ª edição da Fenatran, que ocorre em São Paulo, o chefe da divisão de Caminhões da Mercedes-Benz, no mundo, fala das suas expectativas para o Brasil.
O que significa a chegada de um caminhão moderno como o Actros para o Brasil? 

O cumprimento de uma promessa. Mesmo com um mercado em recessão, nos últimos anos, dissemos que traríamos projetos globais para o Brasil. E o Actros é exatamente isso: um produto moderno, que colocará o segmento dos caminhões pesados em um novo patamar de eficiência, segurança e conectividade. E não vamos parar por aqui.

Quais os próximos passos?
Entre 2018 e 2022 vamos investir R$ 2,4 bilhões nas nossas fábricas de São Bernardo do Campo e Juiz de Fora para fazermos novos produtos e em tecnologia. Acompanhei o projeto do Actros brasileiro desde o princípio. Um caminhão como ele é importante já que é feito em uma plataforma global, como os produtos que saem de nossas linhas de montagem na Alemanha ou na Turquia. Isso é importante para transformar nossas plantas brasileiras em polos de exportação de caminhões, motores, transmissões e eixos. Ainda há desvantagens, como as tarifas para veículos e partes e o custo da logística, que ainda fazem parte da realidade.  Temos fornecedores bons por aqui. Quanto mais estas tarifas reduzirem e mais eficiente for a infraestrutura e mais ágil a burocracia, mais competitivo o Brasil será.

Depois do Actros, novos produtos deverão continuar a ser lançados nos próximos meses?
Produtos são a chave no nosso segmento. Por isso mesmo um produto moderno, como o Actros está chegando a este país, poucas semanas de começar a ser vendido nas concessionárias da Alemanha e da Europa. Uma outra prova de que prestamos atenção aos nossos clientes brasileiros é que o modelo fabricado aqui tem as últimas inovações, como os espelhos retrovisores digitais e o painel digital, com conectividade e tecnologia. Mas teve a cabine desenhada de acordo com impressões que colhemos nas clínicas que fizemos com consumidores locais. Ele foi desenvolvido especialmente para os nossos clientes brasileiros.

Alguns concorrentes estão apostando em inovações, como caminhões elétricos produzidos no Brasil. A Mercedes pretende trazer algo do gênero?
Acreditamos que o Brasil é, sim, aberto a novas tecnologias. Mas, temos que ver quais delas podemos aplicar aqui, observar o que acontece na Europa, Estados Unidos e Ásia … Temos que ver questão da infraestrutura, que pode ser um obstáculo, para muitas destas tecnologias. Se ela não estiver disponível, pode ser um problema. Nosso grupo tem acesso às tecnologias disponíveis e podemos aplicá-las aqui, facilmente: eletricidade, hidrogênio, gás natural ou liquefeito e motores a diesel, que continuam evoluindo. Mas, a palavra final será do consumidor.  Sem contar que soluções como os caminhões com baixa emissão de CO2, como os elétricos não serão efetivos se não for resolvida a questão da emissão de poluição causada pelos caminhões mais antigos. E que continuam circulando por aqui.

Quando um caminhão autônomo poderá circular no Brasil?
Nas ruas e estradas ainda deverá demorar um pouco. Para caminhões autônomos ter uma rede de telefonia móvel 5 G é crucial. Isso não existe no Brasil. Também precisa ser criada uma legislação para permitir que estes veículos circulem. Isso já está acontecendo em alguns estados dos Estados Unidos. O problema dos veículos autônomos não é técnico, é a legislação. Por isso, acredito que as primeiras e aplicações de caminhões autônomos no Brasil deverá acontecer em minas ou em grandes propriedades agrícolas. Mas, produtos modernos como o Actros continuarão a chegar. Com a recuperação da economia, este país terá, cada vez mais, produtos globais. O mercado brasileiro era o nosso maior mercado para a divisão de caminhões da Mercedes-Benz. E nós estamos convencidos de que, com estabilidade e reformas, a economia do Brasil vai crescer. Costumamos falar que para cada 1 milhão de habitantes há potencial de venda para mil caminhões. Vale para a Alemanha, para os Estados Unidos, para o Brasil. Estamos confiantes que um mercado de 200 mil caminhões ao ano é possível.

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