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Robert Scheidt: ‘Chego no Rio sem ser favorito’

Robert Scheidt, de 43 anos, tem um grande desafio pela frente. Com duas medalhas de ouro, em Atlanta e Atenas; duas de prata, em Sidney e Pequim; e uma de bronze, em Londres; o iatista pode se tornar o brasileiro com o maior número de pódios olímpicos. Caso fique entre os três primeiros da classe Laser, ele ultrapassa Torben Grael, que não participa dos Jogos, e se consolida no panteão dos atletas nacionais.

Como encara a perspectiva de se tornar o maior medalhista olímpico do Brasil?
Sou uma pessoa muito normal, gosto do meu trabalho, da rotina. Amo a minha vida de casado e pai de dois filhos. Eu acredito que o resultado vem coroar um trabalho bem feito. E não adianta só querer o pódio, tem que amar o processo, que são os desafios diários. Estes são difíceis de superar: distrações, preguiça, procrastinação, acomodação… Quando eu chego à Olimpíada, tenho a certeza de que dei o meu melhor na preparação, e só tenho que fazer o que treinei com afinco. O feijão com arroz mesmo. Tem dado certo!

Quem serão seus principais adversários na Rio-2016?
Estes serão os Jogos Olímpicos mais difíceis, pelo momento que estou vivendo e o equilíbrio na classe. Claro que vou brigar por mais um pódio, sei que ainda tenho muita lenha para queimar. Estou velejando de igual para igual com os principais adversários. Tenho boas chances de medalha, sim. Mas o meu foco, agora, está em me preparar o melhor possível e treinar de forma a alcançar o auge da minha forma física, sem me preocupar com esse ou aquele adversário.

Como você chega para essa disputa?
Na verdade, estes são os primeiros Jogos em que eu chego sem ser favorito. Isso tira um pouco o peso das minhas costas, joga a responsabilidade mais em cima dos outros. O fato de a competição ser disputada aqui no Brasil ainda trará uma emoção maior, com o calor da torcida, dos amigos. Além do mais, estou bem acostumado com as cobranças. Tento encarar a Olimpíada como mais um campeonato.
O Rio não conseguiu cumprir a promessa de despoluir a Baía de Guanabara para o evento. A poluição terá um impacto negativo no rendimento dos atletas?
Apesar de muito poluída há vários anos, a Baía de Guanabara será um belo palco para as regatas. Digo isso porque acredito que o lixo flutuante, que pode comprometer a performance dos barcos, será retirado pelos “Eco Boats”, como aconteceu no evento-teste, em agosto do ano passado. Outro ponto: a Olimpíada acontecerá no inverno, período de menos chuvas e, portanto, menos poluição nas águas da baía.

A sua intenção de abandonar a vela e se dedicar a outros esportes náuticos após a Olimpíada ainda está de pé?


Tracei como objetivo deixar a vela olímpica após a Rio-2016 e continuar velejando em classes de barco que exijam menos do corpo e mais da cabeça. Mas não estou pensando em aposentadoria agora. Quando chegar a hora, vou definir o que fazer.

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