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Público ou privado?

vania-goulart- lopes300A pergunta acima, referente a emprego e feita por um leitor desta coluna, nos leva a várias discussões e controvérsias. Muitos acreditam que é melhor  um serviço público no qual a segurança é o que sustenta, além dos salários com boa média de mercado. Já outros acreditam que uma empresa que possibilite ao funcionário aprender e crescer é o que faz a diferença. E outros ainda preferem a vida de empreendedorismo, que permite maior flexibilidade e autonomia. Bom, mas o que é melhor?

Historicamente, vimos que, no tempo dos nossos avós, os empregos públicos eram os únicos e os mais almejados. Carreira no Banco do Brasil, nos Correios, tudo pela estabilidade e a possibilidade de estar seguro com uma boa aposentadoria.  Os integrantes da geração  ‘baby  boomer’ (aqueles que nasceram logo após a Segunda Guerra Mundial) também buscaram empresas para estabilizar e crescer, mas preferiram o setor privado. Valorizavam o esforço individual, o reconhecimento da lealdade e a dedicação ao que fazem.  No serviço público, o crescimento efetivo às vezes depende de passar por outro concurso. Na geração Y e Z, a autonomia e a qualidade de vida são os desejos maiores, não se tem muito apego às carreiras.

Para dar seguimento a esta resposta, quero acrescentar dois fatores para reflexão: um é sobre a lógica de se estudar muito para usar muito pouco do conhecimento adquirido na vaga que conquistar. A teoria demonstra que as seleções de pessoas para os concursos cada vez mais elege pessoas muito qualificadas para funções pouco desafiadoras, o que traz a frustração como consequência. Uma segunda reflexão que nos ajuda a responder à pergunta do título é acerca do ‘Flow’ (termo em inglês que significa fluxo). Quando o indivíduo tem equilíbrio entre desafio e competência, consegue se desenvolver e crescer,  pois está em ‘flow’. Precisamos desse equilíbrio para a nossa felicidade.

Analisando essas duas questões e com as experiências de  anos de atendimento,  aponto que “serviço público ou privado?” não deve, enfim, ser a pergunta. Cada um deve buscar posições nas quais consiga usar seus pontos fortes, sentir que suas habilidades são requeridas, que suas competências são necessárias para descobrir propósito no que faz.

Salário e segurança podem até trazer certas garantias, mas a sustentabilidade só é processada com o propósito alinhado ao desafio e ao aproveitamento de sua competência.

Vânia Goulart é psicóloga formada pela Ufes; mestre em Administração Estratégica pela Fucape; especialista em Psicologia Organizacional, do Trabalho e do Trânsito; coach profissional pelo Personal and Professional Coaching e diretora fundadora da Selecta. 

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