Uma tia do piloto argentino Lorenzo Somaschini, de 9 anos, que morreu após sofrer um acidente durante um treino livre de motovelocidade, no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, está inconsolável com a perda. Ela administrava as redes sociais do garoto, que foram apagadas após o falecimento. Porém, o jornal argentino “Clarín” publicou o desabafo que foi feito por ela antes do perfil ser desativado.
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“Alguns querem que você voe alto, mas eu quero você perto. Não aceito, Lolito. Sim, há alguns dias nos despedimos porque você estava viajando, estava muito feliz. Eu te abracei, falei que te amava e que você deveria se cuidar…você entrou no carro e acenou para nós com seus pezinhos. Parecia que Lulu pressentiu alguma coisa. Ela gritou ‘Loló Loló’ como se quisesse te impedir de sair”, escreveu a tia.
“Não sei como vamos fazer com tanta dor, meu capitão cueca. Talvez, com o tempo, saber que você foi uma criança feliz e muito amada nos dê conforto (…) Estou quebrada, eu te amo infinitamente”, ressaltou a parente.
Lorenzo se preparava para uma etapa da “Júnior Cup”, categoria de base que faz parte do “SuperBike Brasil”, voltada para crianças e adolescentes de 8 a 18 anos, com motocicletas de 160 cilindradas, quando sofreu o acidente na última sexta-feira (14). Ele ele caiu após sofrer um highside, uma manobra em que há um excesso de velocidade após uma curva, fazendo com que os pneus percam aderência, e bateu a cabeça.
O garoto foi levado em uma UTI Móvel para o Hospital Geral da Pedreira. No sábado (15), foi transferido para a UTI do Hospital Albert Einstein, mas o estado de saúde se agravou e ele morreu na segunda-feira (17). A Polícia Civil informou que um boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita no 48º Distrito Policial de Cidade Dutra, que conduz as investigações.
Já o pai de Lorenzo, Maurício Laranjeira, disse em entrevista ao site UOL que vê a morte do filho como uma “fatalidade” e que o acidente “poderia ter acontecido em qualquer outro lugar ou situação”.
“A única coisa que tenho a dizer é que jamais deixaria meu filho correr em um campeonato no qual eu não confiasse, no mínimo, 1000% na organização, segurança e serviço médico, e esse é o caso no SuperBike”, ressaltou o pai.
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Em nota publicada nas redes sociais, a “SuperBike Brasil” informou que está prestando a devida assistência à família do piloto desde o dia do acidente e lamentou o falecimento dele. “Todos da equipe do SuperBike Brasil estão consternados com o acontecimento e manifestam sinceros sentimentos a todos familiares e amigos de Lorenzo”, diz o texto.
Quem era Lorenzo?
A imprensa argentina considerava Lorenzo talentoso e um prodígio da motovelocidade. O sonho era ser campeão da MotoGP, principal competição da categoria.
Conforme reportagem do jornal “El Clarín”, Lorenzo era apaixonado por motocicletas e, aos quatro anos, ganhou seu primeiro veículo do pai. Desde então, ele aprender a arte de pilotar e, logo, passou a participar de competições da categoria.
Ele estreou na “Júnior Cup” do “SuperBike” argentino em abril deste ano e, agora, veio participar da etapa brasileira pela primeira vez. Ele completaria 10 anos no próximo dia 17 de julho.
