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Mãe de condutor de Porsche que bateu em Sandero pode ser indiciada por fraude processual; entenda o motivo

Mulher retirou o filho do local do acidente com a alegação de que levaria ao hospital, mas não o fez

Empresário é procurado pela polícia

A mãe do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, que dirigia um Porsche e bateu contra a traseira de um Renault Sandero, na Zona Leste de São Paulo, causando a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, poderá responder por fraude processual. Daniela Cristina de Medeiros Andrade esteve no local do acidente e levou o filho dizendo que o levaria a um hospital, pois estava machucado, mas não o fez. O rapaz foi embora sem fazer o teste do bafômetro.

Daniela afirmou em depoimento que pediu autorização da Polícia Militar para tirar o filho do local do acidente, pois ele estava ferido e não havia ambulância para levá-lo até o Hospital São Luiz Ibirapuera. Porém, ela ficou com medo de que o filho fosse “linchado” e decidiu seguir para casa do rapaz.

Chegando lá, a mulher disse que o filho foi tomar um banho, “pois estava muito sujo”, e ela tomou um relaxante muscular já que estava “muito nervosa”. Ela pretendia levar o filho ao hospital depois disso, mas eles acabaram dormindo e só acordaram cerca de 3 horas depois.

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Os PMs chegaram a ir até o hospital em busca do rapaz para fazer o teste do bafômetro, mas ele não foi mais encontrado e passou a ser procurado. O motorista do carro de luxo só se apresentou à polícia mais de 38 horas depois. Assim, por ter levado o filho do local do acidente e não ter o apresentado às autoridades, Daniela poderá responder pelo crime de fraude processual.

Já a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) destacou que a “Polícia Militar instaurou uma investigação preliminar para apurar a conduta dos policiais” que atenderam à ocorrência.

A defesa de Daniela não foi encontrada para comentar o assunto até a publicação desta reportagem.

Ele vai responder pela morte do motorista de aplicativo

Motorista com sinais de embriaguez, dizem testemunhas

Testemunhas do acidente disseram que viram o empresário “cambaleando e com a voz pastosa” após o acidente. Ele, a mãe e outras mulheres que foram ao local também foram embora sem prestar socorro ao motorista de aplicativo.

“Desceu cambaleando, com voz pastosa, não sabia dizer o que estava acontecendo, só pedia para sair da frente dele (...) claro estado de embriaguez. Em nenhum momento ele, sua mãe ou a pessoa que estava com eles prestaram qualquer tipo de apoio ou socorro às vitimas do outro carro”, disse uma testemunha à polícia, segundo o jornal “SP1″, da TV Globo.

Um homem e uma mulher que viram o acidente prestaram depoimentos na terça-feira (2), no 30º Distrito Policial (DP), Tatuapé. Eles disseram que viram quando “um veículo o ultrapassou em alta velocidade” e depois “ouviram um forte barulho de colisão”. Logo depois, mais à frente, estavam o Porsche e Sandero já batidos.

Ainda segundo as testemunhas, o empresário “aparentava sinais de embriaguez, cambaleando, voz pastosa e não sabia dizer o que estava acontecendo. Só pedia para sair da frente dele”. Depois disso, a mãe do motorista de carro de luxo e a namorada dele, juntas de outras duas mulheres, apareceram e levaram Filho. Em nenhum momento o grupo prestou socorro a Viana.

O que disse o motorista do Porsche?

O condutor do carro de luxo fugiu do local e só se apresentou mais de 38 horas depois. O empresário não foi submetido ao teste do bafômetro, apesar da presença de policiais militares. Em depoimento, o condutor do veículo de luxo admitiu que estava “um pouco acima do limite de velocidade”, mas sem precisar o quanto. Outras testemunhas disseram que ele corria muito e passava dos 50 km/h estipulados na via.

O empresário afirmou que, no momento do acidente, ocorrido na madrugada do último domingo (31), ele estava indo levar um amigo em casa e, quando seguia pela Avenida Salim Farah Maluf, no sentido a Radial Leste, “viu a luz de freio de um veículo a frente acender e ao tentar desviar” colidiu com ele.

Ainda no depoimento, o motorista do carro de luxo disse que perdeu os sentidos por conta da batida e, por isso, não se recorda exatamente qual era a sua velocidade. Questionado pelos agentes, ele acabou admitindo que “estava um pouco acima do limite permitido, porém, não chegava ser muito acima também”.

Um vídeo gravado por câmeras de segurança mostra o momento da batida (veja abaixo).

A Polícia Técnico-Científica informou que analisa as imagens gravadas por câmeras de segurança para determinar qual era a velocidade do Porsche no momento da batida com o Sandero.

Por enquanto, o empresário foi indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, lesão corporal e fuga de local de acidente. A Polícia Civil solicitou a prisão temporária dele, mas o pedido não foi aceito pela Justiça e ele segue respondendo ao caso em liberdade.

Em entrevista ao site UOL após o depoimento, os advogados afirmaram que Filho não fugiu e que foi “devidamente qualificado pelos policiais militares de trânsito, tendo sido liberado pela PM para que fosse encaminhado ao hospital”.

Os advogados disseram, ainda, que ele demorou a ir até a delegacia em função da necessidade de “resguardo”, já que o cliente está sofrendo “linchamento virtual” e, além disso, ficou em “estado de choque pelo acidente e pela notícia de falecimento da vítima”.

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