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“Ninguém está acima da lei”: filhos de motorista de app morto cobram punição a condutor de Porsche

Empresário Fernando Andrade Filho, 24, se apresentou à polícia mais de 38h após acidente e negou fuga

Motorista envolvido se apresentou à polícia e responde em liberdade

Dois dos três filhos do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, que morreu após ter seu Renault Sandero atingido na traseira por um Porsche, na Zona Leste de São Paulo, participaram do programa “Encontro”, da TV Globo, na manhã desta terça-feira (2). Eles cobraram a devida punição do condutor envolvido na batida, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24, que fugiu do local e só se apresentou à polícia mais de 38 horas depois do acidente.

“Como acontece um acidente desse tamanho e simplesmente o cara vai embora, com a presença da polícia? (...) Eu espero que ele pague pelo que fez, que fique preso, que a justiça seja feita (…) Que ninguém está acima da lei, a lei vale para todos, independente da classe social”, pediu Lucas Silva.

O empresário não fez o teste do bafômetro no local do acidente, mesmo com a presença de policiais militares que atendiam à ocorrência, e foi embora com a mãe. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) destacou que a “Polícia Militar instaurou uma investigação preliminar para apurar a conduta dos policiais”.

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Lucas contou que estava dormindo, na madrugada de domingo (31), quando recebeu uma ligação da polícia informando que o pai tinha sofrido um acidente e estava no Hospital Tatuapé. Viana sofreu “traumatismos múltiplos” e não resistiu.

“Nunca passou pela minha cabeça [que o pai tivesse morrido]. E aí, quando cheguei lá, ela me deu essa notícia. Foi desesperador, me joguei no chão, gritei”, lamentou Lucas.

Luam Silva, outro filho do motorista de aplicativo, disse que a família está muito abalada com a perda do genitor, principalmente a irmãzinha mais nova. “É muito difícil, ela vai crescer sem pai, mas vai ter dois irmãos e nossa mãe”, ressaltou o rapaz.

Ornaldo trabalhava como motorista de aplicativo há quatro anos. Ele seguia sozinho no Renault Sandero quando foi atingido na traseira. Natural do Maranhão, ele atualmente morava em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Empresário é procurado pela polícia

Versão do motorista do Porsche

O empresário que dirigia o Porsche se apresentou à polícia na segunda-feira (1º), mais de 38 horas após fugir do local do acidente. O rapaz foi indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, lesão corporal e fuga de local de acidente, de acordo com a SSP-SP.

Em entrevista ao site UOL, os advogados dele afirmaram que Filho não fugiu e que foi “devidamente qualificado pelos policiais militares de trânsito, tendo sido liberado pela PM para que fosse encaminhado ao hospital”.

Ele vai responder pela morte do motorista de aplicativo

Os advogados disseram, ainda, que ele demorou a ir até a delegacia em função da necessidade de “resguardo”, já que o cliente está sofrendo “linchamento virtual” e, além disso, ficou em “estado de choque pelo acidente e pela notícia de falecimento da vítima”.

A defesa do empresário ressaltou que vai procurar a família do motorista de aplicativo para prestar o devido suporte. “Obviamente, a perda não será reparada, mas minimamente prestaremos amparo necessário neste momento de tal fatalidade”, disseram os advogados.

O acidente

Um vídeo gravado por câmeras de segurança mostra o momento da batida, na madrugada do último domingo (veja abaixo).

Viana sofreu ferimentos graves e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros com um quadro de parada cardiorrespiratória. Ele foi encaminhado ao Hospital Tatuapé, mas não resistiu.

Um passageiro do Porsche, que estava no banco do carona, foi levado ao Hospital São Luiz, onde seguia internado na segunda-feira (1º). Não há detalhes sobre o estado de saúde dele.

Segundo o boletim de ocorrência, a mãe do empresário apareceu no local do acidente e afirmou aos policiais que também levaria o filho ao Hospital São Luiz, pois o rapaz apresentava um ferimento na boca. Porém, ele não foi mais encontrado e passou a ser procurado.

A Polícia Civil solicitou a prisão temporária dele, mas o pedido não foi aceito pela Justiça. Assim, ele e a mãe, que também foi ouvida, deixaram a delegacia após os depoimentos.

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