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Escritórios terão de mudar para receber fãs do home office

Mundo corporativo. Pesquisa mostra que 70% dos funcionários acham volta difícil e 55% se sentem estressados com ideia de sair do trabalho remoto. Especialistas apontam necessidade de esquema híbrido, com espaços de trabalho voltados ao convívio das equipes


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Estressados e certos de um retorno difícil são respostas da maioria dos trabalhadores que estão em home office desde o início da pandemia e agora se preparam para voltar aos escritórios. O avanço da vacinação e a redução de casos e mortes por covid-19 têm encorajado muitas empresas a tentarem ao menos o esquema híbrido, com alguns dias presenciais. Foi a opção da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. O Bradesco retoma a opção mista em setembro.

Mas há casos também de volta 100% presencial, como os servidores estaduais de São Paulo, por exemplo, que retornaram no mês passado. No Twitter, o home office foi adotado como permanente. O último levantamento da consultoria KPMG no Brasil indica que 39% das empresas pretendem voltar para o presencial neste segundo semestre. Para 34%, o processo começa apenas em 2022 e o restante já deu o primeiro passo no início do ano.

O problema é que muitos funcionários se adaptaram bem ao trabalho em casa e já estão em pânico só de pensar em horas no trânsito e menos tempo com a família. Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Korn Ferry com 581 profissionais do mundo corporativo, no fim de abril, revela que 70% deles consideram a volta ao escritório estranha e difícil. Só de pensar na possibilidade, 55% disseram ficar estressados. Mas 58% admitem que se negar a sair do home office pode prejudicar a carreira. Pesa na hora de voltar a sensação de que colegas no presencial terão mais chances de promoções.

A líder global da Korn Ferry, Melissa Swift, afirma que as empresas terão de dialogar e tentar ser flexíveis. “Estamos descobrindo que muitos sentem que são mais produtivos quando trabalham em casa, então, considerar um horário híbrido de trabalho remoto e no escritório pode ser a opção mais eficaz.”

O professor de teletrabalho da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) Álvaro Augusto Araújo Mello diz acreditar que os escritórios ficarão mais humanizados para poder receber os funcionários ao menos alguns dias na semana. “Ter um local de convívio social faz falta, é importantíssimo. Os funcionários não vão necessariamente para trabalhar no escritório, mas para reuniões, encontros, tomar um café.”
É o que o Google, gigante da tecnologia, pretende fazer, com investimento de US$ 7 bilhões em novos escritórios para esquemas híbridos. “Reunir-se pessoalmente para colaborar e construir uma comunidade é fundamental para a cultura do Google”, disse o diretor da empresa Sundar Pichai.

Para Mello, este é um momento também de as empresas otimizarem o home office. “A pandemia fez com que o trabalho remoto fosse implantado de forma improvisada, o que não é o ideal. Agora é hora de corrigir falhas. É preciso traçar perfil do trabalhador, adotar indicador de desempenho, verificar as condições reais que as pessoas têm para trabalhar em casa. Não é só colocar um computador na mesa da sala.”

Quem tem medo da volta ao escritório?

Pesquisa realizada com 581 profissionais pela Korn Ferry em abril

  1. A ideia de voltar para o escritório deixa você estressado?
    Sim – 55%
    Não – 45%
  2. Admitir para seu chefe que você prefere continuar trabalhando remotamente prejudicaria suas chances de progredir na carreira?
    Sim – 58%
    Não – 42%
  3. Voltar à rotina do escritório será difícil ou estranho?
    Sim – 70%
    Não – 30%
  4. Você recusaria uma oferta de emprego se a empresa exigisse trabalho integral no escritório?
    Sim – 49%
    Não – 51%
  5. Qual grupo está mais animado em ver uma grande porcentagem de funcionários voltando ao escritório?
    Líderes da empresa – 85%
    Quem não é gerente – 15%
  6. Você tem mais energia e foco trabalhando em casa ou no escritório?
    Casa – 74%
    Escritório – 26%

Expectativa para a volta de 361 empresários entrevistados pela consultoria KPMG

  1. Com a vacinação, quando sua empresa pretende voltar com atividades no escritório?
    39% – 2o sem. 2021
    34% em 2022
    27% voltou no 1o sem.
  2. A descoberta de novas variantes afetou o cronograma de volta?
    74% – Sim
    26% – Não

Contras e prós

O que levar em consideração na hora do home office, de acordo com o professor Álvaro Augusto Araújo Mello, do curso sobre teletrabalho da Fecap.

CONTRAS

  1. Requer disciplina, metas claras e realizáveis e um bom planejamento de ações;
  2. Visão preconceituosa dos parentes e amigos;
  3. Tédio, em virtude do distanciamento social;
  4. Distração e perda de concentração por conta do intenso relacionamento com a família e tarefas do lar;
  5. Gerenciamento falho do tempo em virtude da desatenção e desorganização;
  6. Férias, feriados e fins de semana podem se tornar dias de trabalho, pois muitos não sabem quando parar de trabalhar;
  7. Sensação de trabalho onipresente, sem hora para acabar;
  8. Falta de contato e relacionamento pessoal com os colegas de trabalho;
  9. Falta de infraestrutura tecnológica e de comunicação em casa;
  10. Participação reduzida de algumas pessoas em reuniões nas videoconferências;
  11. Adoecimentos mentais (depressões, estresses, ansiedades) causados pelo excesso de trabalho.

PRÓS

  1. Possibilidade de recrutar colaboradores em área geográfica maior;
  2. Menor perda de funcionários talentosos, que, por alguma razão, necessitam mudar de local geográfico;
  3. Faltas em virtude de doenças, tráfego ou tempo ruim são reduzidas;
  4. O ambiente de trabalho é mais flexível;
  5. Sem precisar ir ao escritório todos os dias, funcionários ganham tempo produtivo e têm menos estresses provocados pelos congestionamentos no trânsito, pelas relações conflitantes no trabalho, etc;
  6. Há mais tempo com a família e dedicação ao lazer e aos hobbies
  7. Reuniões (videoconferências) com mais foco;
  8. Mais tempo livre (sem o deslocamento e perda de tempo na ida e volta para o escritório);
  9. Redução de custos para a empresa (aluguel, estacionamento, etc.) e para o funcionário (alimentação e transporte);
  10. Profissionais conscientes e mais abertos a situações novas desempenham melhor as suas funções em home office.

Fontes: KPMG, Korn Ferry e Fecap

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