Blocos que impediam que moradores de rua dormissem sob viaduto começam a ser retirados

Por Norah Lapertosa - Metro*

A Prefeitura de São Paulo começou a desfazer a intervenção que espalhou blocos de paralelepípedo e os prendeu com concreto debaixo de viadutos na zona leste.

O serviço havia sido concluído pelo município na semana passada, mas foi desfeito ontem após críticas que chamaram a medida de “higienista”, com intenção afastar os moradores em situação de rua do local.

A remoção dos blocos nos viadutos Dom Luciano Mendes de Almeida e Antônio de Paiva Monteiro, na Mooca, foi realizada com auxílio de tratores e caminhões da prefeitura, mas a maior força para derrubar as pedras veio do padre Júlio Lancellotti.

Em ato que classificou como “simbólico”, mas tomado pela indignação, o coordenador da Pastoral do Povo de Rua foi até o local e destruiu parte das pedras a golpes de marreta na manhã de ontem. As imagens circularam pela internet e fizeram crescer a mobilização contra a intervenção.

Em entrevista ao Metro World News, o padre disse que a instalação das pedras é medida “higienista injustificável” e também um ato de improbidade administrativa, pelo desperdício do dinheiro público.

Segundo Júlio Lancellotti, a prefeitura faria a remoção em uma semana, mas teria acelerado o serviço depois da repercussão negativa da obra e pela onda de críticas que se seguiu após a postagem das suas marretadas.

Julio Lancellotti Reprodução

Aos 72 anos, sendo 35 deles voltados para ajudar a população de rua, o padre disse que o acolhimento aos mais necessitados não se faz colocando pedras no caminho, mas sim retirando-as.

“Uma das nossas propostas é a locação social. É uma ação que a prefeitura já realiza, mas precisa ser reforçada e que permite que as pessoas paguem um aluguel de valor simbólico para morar em prédios que o estado administra. É preciso também fortalecer o bolsa-aluguel e ampliar as repúblicas.”

São Paulo tem 24 mil moradores em situação de rua, de acordo com o último censo da prefeitura. Sobre as pedras, o governo disse que a instalação foi um ato isolado, sobre o qual foi aberta sindicância que levou à exoneração de um funcionário.


*Supervisão André Vieira

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