Excesso de tempo nas telas pode não ser prejudicial às crianças

Segundo pesquisadores, são frágeis as evidências que ligam o tempo de tela das crianças com danos cognitivos e sociais às mesmas

Por Ivana Moreira

Com a quarentena imposta pelo coronavírus, muitos pais se mostram ainda mais preocupados com o tempo que as crianças e os adolescentes passam no celular, tablet ou outros dispositivos eletrônicos assistindo a desenhos ou mesmo jogando videogames. Mas, segundo especialistas, essa exposição excessiva talvez não seja tão ruim quanto parece.

O professor da Universidade de Oxford Andrew Przybylski e o psicólogo Pete Etchells afirmam que as evidências que ligam o tempo de tela das crianças com danos cognitivos e sociais seriam, na verdade, bem frágeis.

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De acordo com os pesquisadores, nos últimos cinco anos, há uma crença de que smartphones e videogames prejudicam o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças. Em artigo para o jornal The New York Times, eles recordam que a Organização Mundial da Saúde (OMS) até adicionou a definição “gaming disorder” (transtorno de jogar, em tradução livre) como uma condição psiquiátrica em seu manual de classificação. Mas também há órgãos que têm mudado de posição: a Academia Americana de Pediatria (AAP), que recomendou abstinência digital por anos, agora afirma que tudo bem ter exposição moderada às telas e que isso deve ser determinado de acordo com cada criança e cada família.

Para tranquilizar os pais, os especialistas listam diversas pesquisas que mostram as poucas evidências de prejuízo devido ao tempo excessivo de telas das crianças. Entre elas, uma publicada por Candice Odgers e Michaeline Jensen que chegou à conclusão que os mais recentes e rigorosos estudos em larga-escala sobre o assunto mostram “pequenas associações entre a quantidade de uso diário de tecnologia digital e o bem estar de adolescentes”.

Conheça outros estudos listados pelos pesquisadores que mostram poucas evidências entre tempo de telas e prejuízo às crianças.

Existe um limite de tempo para ficar frente às telas?

Etchells e o professor de Oxford defendem que não existe uma quantidade “certa” de tempo para se passar diante dos dispositivos eletrônicos. Eles afirmam também que formas mais ativas de exposição a telas, como videogames cooperativos e de times, podem ter efeitos positivos na saúde mental. “Isso é especialmente importante agora porque a internet é a melhor ferramenta do mundo para socialização a distância”, dizem os especialistas.

Nem mesmo a questão das crianças perderem contato com a família e, talvez, a habilidade de conversar, deve ser motivo de preocupação. “As telas não as condenarão a esses destinos. A ressalva é simplesmente que, como todas as ferramentas, nossas novas ferramentas tecnológicas precisam ser usadas com o devido cuidado, atenção e responsabilidade”, alertam os autores.
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