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Entrevista: Exposição celebra fotografia de Bob Wolfenson

O que Fernanda Montenegro, Caetano Veloso, FHC e Pelé têm em comum? Todos cruzaram com as lentes de Bob Wolfenson ao longo de seus quase 50 anos de trajetória. Cerca de 200 desses registros foram reunidos na exposição “Retratos”, com imagens produzidas desde 1973 que mostram a evolução do olhar de um dos mais importantes fotógrafos brasileiros.

A exposição trabalha a ideia de crônica através do retrato. Como isso acontece?
Essa exposição é o resumo de uma atividade profissional: 90% [das obras] foram encomendas para revistas, jornais, capas de disco… Elas são muito fiéis ao gosto, à moda do olhar e ao espírito da época na qual foram geradas. Apesar disso, essa não é uma exposição cronológica.

Qual a importância de ter o olhar de um curador?
Fundamental! O Rodrigo Vilella partiu de uma seleção feita por mim, mas eu fui muito opulento, eram umas 1.200 fotos! Fomos eliminando e chegamos ao recorte de hoje. Mas, até a abertura, tem uma angústia artística que fica presente.

O que significa o retrato na era da selfie?
O [fotógrafo americano] Richard Avedon (1923-2004), que eu admiro muito, costumava dizer que os retratos diziam muito mais sobre ele do que sobre os fotografados. Em uma exposição dessa envergadura, você vê uma linha e um pensamento independentemente de quem está sendo fotografado. Mas um retrato é um encontro absolutamente imponderável de duas pessoas, quando a selfie é um encontro de você consigo mesmo. O resultado do retrato tem muito de acaso e de confiança mútua.

Você retratou algumas dessas pessoas mais de uma vez. Isso muda algo?
Um fotógrafo é um especialista em breves encontros, e nenhum deles confere intimidade. Uma sessão não pode durar mais de meia de hora, senão a pessoa fica de saco cheio. O que muda é a disponibilidade da pessoa para aquilo, caso ela tenha gostado do trabalho anterior.

Que personalidade você ainda gostaria de retratar?
Não tenho fotos da Marisa Monte e nunca estive nem perto dela. Poderia também fazer um retrato do Vik Muniz e do Ronaldinho Gaúcho.\

Retratos – Bob Wolfenson

Grátis
Espaço Cultural Porto Seguro (até 9 de dezembro)
Alameda Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos – tel.: 3226-7361
De terça a sábádo, das 10h às 19h; domingo, das 10h às 17h

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