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Rodrigo Campos, Gui Amabis e Juçara Marçal desconstroem samba para cantar Nuno Ramos

O escritor francês Albert Camus (1913-1960) escreveu “O Mito de Sísifo” em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, mas o impacto de sua frase de abertura reverbera até hoje. “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”, escreve ele.

A tese de um dos autores mais existencialistas da humanidade é de que a única alternativa a tirar a própria vida é aprender a conviver com o absurdo de não haver um sentido para ela.

Os pensamentos de Camus responderam a um certo sentimento de desamparo percebido pelo compositor Rodrigo Campos, que passou a compor sambas sob inspiração desse material.

Ao lado de Gui Amabis e Juçara Marçal, ele criou “Sambas do Absurdo”, que será lançado oficialmente nesta quarta-feira (10), em show esgotado, na Casa de Francisca.

Em pouco mais de 20 minutos, o trio não conta histórias, mas esboça fragmentos de vida e de pensamentos costurados pelas letras do artista visual Nuno Ramos.

As incoerências começam desde a primeira faixa, que deveria ser a última.  “Absurdo 8” evidencia o fato de esses não serem sambas convencionais. O violão e o cavaquinho de Campos são obscurecidos por intervenções eletrônicas melódicas graves criadas por Amabis. Elas contrastam com a voz doce, sedutora e linear de Juçara, uma espécie de âncora fiel na qual o ouvinte pode se apoiar para enfrentar os paradoxos do próprio viver.

Apesar da tônica densa, o resultado ainda soa leve. A brevidade das canções contribui para isso, tornando “Sambas do Absurdo” um respiro de reflexão em meio ao caos cotidiano.

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