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Por que a vitória de Nicolás Maduro seria fraude? Especialistas explicam sobre números e irregularidades

Líderes de partidos políticos, especialistas e cidadãos rejeitam o resultado das eleições presidenciais

Venezuela elecciones
Venezuela elecciones Venezuelan President Nicolas Maduro attends a ceremony at the National Electoral Council (CNE) that certifies him as the winner of the presidential election in Caracas, Venezuela, Monday, July 29, 2024. (AP Photo/Matias Delacroix) (Matias Delacroix/AP)

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou Nicolás Maduro como vencedor nas eleições presidenciais deste domingo na Venezuela, e desde então, surgiram vozes de líderes políticos e cidadãos em geral, reclamando que houve fraude.

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Elvis Amoroso, presidente do CNE, emitiu o primeiro boletim ‘irreversível’ após a meia-noite para o amanhecer desta segunda-feira, afirmando que com 59% de participação, Maduro foi reeleito para um terceiro mandato com 5.150.092 votos, que representam 51,20%. Ele notificou que em segundo lugar ficou o opositor Edmundo González com 4.445.978 votos e 44,2%, enquanto outros candidatos foram colocados com 472.704 votos, o que equivale a 4,6%.

As mensagens e análises de especialistas dispararam nas redes sociais. Quase uma hora depois, o candidato presidencial da oposição, Edmundo González, e a líder opositora María Corina Machado refutaram os resultados anunciados pelo CNE e afirmaram que, segundo eles, obtiveram 70% dos votos, restando apenas 30% para Maduro. Com isso, eles correm o risco de serem sancionados pelo CNE, que havia alertado dias antes das eleições que sancionaria quem divulgasse resultados, alegando que, como Poder Eleitoral, eles são os únicos autorizados.

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Eleições na Venezuela A líder da oposição Maria Corina Machado e o candidato á presidência Edmundo Gonzalez participam de uma entrevista coletiva à imprensa depois das autoridades eleitorais declararem o Presidente Nicolas Maduro como vencedor da eleição presidencial em Caracas, Venezuela, na segunda-feira, 29 de julho de 2024. (AP Photo/Matias Delacroix) (Matias Delacroix/AP)

A comunidade internacional rejeitou os resultados, alegando que não são transparentes. Entre os países que não reconhecem por falta de credibilidade estão os Estados Unidos, Peru, Chile, Guatemala, Argentina e Costa Rica.

Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência do Brasil, disse que a situação é ‘complexa’. Andrés Manuel López Obrador, presidente do México, expressou que, se o CNE demonstrar uma tendência a favor da reeleição, ele a reconhecerá.

Apesar da rejeição nacional e internacional, durante a tarde desta segunda-feira, o CNE proclamou Maduro como presidente reeleito e entregou-lhe as credenciais.

Mas, por que dizem que a vitória de Nicolás Maduro pode ser fraudulenta? O economista Alejandro Grisanti, diretor da Ecoanalítica, explicou em sua conta X @agrisanti que “de acordo com Elvis Amoroso, a participação foi de 59%, o que significa que votaram na Venezuela 12.600.000 venezuelanos. Com 80% das urnas apuradas, NM supostamente obteve 5.150.000 votos, EGU 4.450.000 e outros candidatos 460.000. Ou seja, a suposta diferença entre os dois candidatos é de 700.000 votos quando ainda faltam contabilizar 2.600.000 votos. Claramente, a ‘suposta diferença’ até agora não é conclusiva, nem irreversível”.

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Juan Barreto, líder político, também se pronunciou em sua conta X @juanbarretoc, dizendo que “perdoem minha ignorância em matemática, mas preciso que por favor, me expliquem de novo, é que sou lento. Número de eleitores 21.105.157%, participação de 59%. Os 59% representam 12.452.042. Maduro 5.150.092. Restam 7.301.959. Edmundo 4.445.978. Restam 2.855.972. Outros 462.704. Restam 2.393.268. Quem obteve esses quase 2 milhões e meio de votos?”.

Horas antes do anúncio do CNE, o chavista Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (AN), deu a entender com um riso irônico que Maduro havia ganhado, quando, de acordo com o regulamento, nenhum lado poderia antecipar o que seria anunciado. Por que ele sabia o que seria informado, se supostamente o Poder Eleitoral ainda estava processando os votos?

Anúncio da reeleição de Nicolás Maduro após atraso e cédulas eleitorais

As eleições presidenciais na Venezuela foram marcadas neste domingo por várias irregularidades que as pessoas denunciaram nas redes sociais desde o início da jornada eleitoral.

Apesar de tudo, a participação foi massiva. Os venezuelanos demonstraram com seu ímpeto de voto uma ação que de alguma forma parecia desesperada, como se estivessem dizendo, é agora ou nunca. No entanto, tiveram diferentes fatores contra eles. Um deles é que, apesar de as mesas eleitorais deverem abrir às 6:00 da manhã, em muitas regiões do país, foi denunciado que abriram horas depois, alegando que as máquinas de votação estavam danificadas.

Na Venezuela, as eleições não são manuais como em outras nações, mas automatizadas, ou seja, as pessoas pressionam seu candidato em uma tela e selecionam a opção de 'votar'. Em seguida, um papel é emitido e colocado em uma urna. Os dados da máquina são enviados diretamente para o CNE em Caracas, e em seguida são verificados por meio da contagem manual das urnas. As pessoas que trabalham nas mesas contam manualmente os votos e preparam a ata, que é enviada para Caracas, para que a comparação seja feita entre o processo manual e o resultado automatizado.

Nas redes sociais, abundam fotos dos boletins de centros eleitorais, onde se vê Edmundo González como vencedor por uma margem avassaladora. Em muitos centros de votação do país, os eleitores comemoraram com alegria o anúncio do boletim nestes locais.

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Eleições na Venezuela O presidente venezuelano Nicolás Maduro recebe as credenciais do presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Elvis Amoroso, de que ganhou as eleições presidenciais em Caracas, Venezuela, na segunda-feira, 29 de julho de 2024. (AP Foto/Matías Delacroix) (Matias Delacroix/AP)

Apesar de tudo, todos foram surpreendidos pelo anúncio do CNE, declarando Nicolás Maduro como vencedor.

Após o anúncio do CNE, grupos violentos roubaram as urnas eleitorais de vários centros de votação no país.

Auditoria, resultados mesa por mesa, impedimento a partidos e impressão do boletim indicam fraude

Eugenio Martínez, especialista em assuntos eleitorais na Venezuela, explicou que durante a madrugada até o amanhecer desta segunda-feira, o CNE deveria ter realizado a auditoria de telecomunicações, mas a suspendeu.

“Após a denúncia de hackeamento na transmissão de resultados, a auditoria de telecomunicações programada para esta madrugada é essencial. Infelizmente, o CNE suspendeu esta auditoria. Se a auditoria não for realizada hoje, perderá toda a validade”, disse o especialista X nesta segunda-feira.@puzkas.

Além disso, ele expôs que "a esta hora (10:26h) o CNE não entregou a base de dados de resultados e também não publicou os resultados mesa por mesa. Além disso, a auditoria de verificação cidadã prevista para sexta-feira também está suspensa.

Outra irregularidade apontada por Martínez é que o boletim lido pelo Presidente do CNE foi impresso em seu escritório e não na Sala de Totalização deste órgão, onde se espera que estejam os representantes dos diferentes partidos.

“Os resultados não são verificáveis. As contagens alternativas demonstram que Edmundo Gonzalez capitalizou muitos mais votos do que os atribuídos pelo CNE. Além disso, o boletim lido por Amoroso foi impresso em seu escritório e não na Sala de Totalização”, explicou.

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