Países estudam lançar passaporte de imunidade para vacinados contra covid-19

Documento pode permitir que população imunizada viaje, volte a frequentar restaurantes e participe de eventos com mais pessoas

Por Letícia Bilard e Miguel Velazquez - Metro

Como forma de caminhar para a normalidade, quando o controle da pandemia for alcançado a partir das vacinas, vários países estão trabalhando para desenvolver um “passaporte de imunidade”. O documento pode garantir que uma pessoa imunizada tenha mais liberdade para se reunir em locais públicos e, quem sabe, até viajar para o exterior.

A medida pode valer para acesso a restaurantes, salas de cinemas e viagens internacionais a trabalho ou lazer.

Embora em estágio inicial, a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) – que representa 290 companhias aéreas em todo o mundo – afirmou que até o fim do ano passado estava desenvolvendo um passaporte para vacina, digital, para viajantes. O “IATA Travel Pass” (em português, “Passe de Viagem IATA”) permitiria aos viajantes compartilhar seu status de vacinação e os resultados do teste RT-PCR para covid-19 com as companhias aéreas e autoridades de fronteira, por meio de um aplicativo de passaporte sem contato físico.

“Este é o caminho do futuro, e os passaportes de imunidade que incluem detalhes sobre ele e o status dos testes ainda estão por vir”, diz o professor de Bioestatística e Epidemiologia da Faculdade de Ciências Clínicas e Saúde da Universidade de South Australia Adrian Esterman. O especialista garante que o desenvolvimento desse tipo de passaporte virá muito em breve.

QUER RECEBER A EDIÇÃO DIGITAL DO METRO JORNAL TODAS AS MANHÃS POR E-MAIL? É DE GRAÇA! BASTA SE INSCREVER AQUI.

“Organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde), IATA e União Europeia já estão fazendo experiências com eles. Eu ficaria surpreso se eles não fossem usados ​​até o meio do ano”, disse ele.

Na quinta-feira passada, a Suécia começou a desenvolver certificados de vacina digitais que serão usados para que seus moradores possam viajar ao exterior e voltar a frequentar, internamente, jogos de futebol, shows e outros eventos culturais. Segundo o ministro sueco de Desenvolvimento Digital, Anders Ygeman, a expectativa é de que o certificado de imunização, chamado informalmente de “passaporte corona”, possa ser utilizado até junho deste ano.

Outro país escandinavo que se propôs a desenvolver o aplicativo pós-vacinação contra a covid-19 foi a Dinamarca. De acordo com o ministro da Economia interino, Morten Bodskov, o documento poderá ser baixado no site oficial do Ministério da Saúde. “Nós poderemos ser um dos primeiros países a adotar esse dispositivo e mostrá-lo para o resto do mundo”, disse o ministro.

Especialista defende eficiência dos aplicativos

Professor de Bioestatística e Epidemiologia da Faculdade de Ciências Clínicas e Saúde da Universidade de South Australia, Adrian Esterman afirmou que a segurança do passaporte deve ser tão eficiente quanto a vacina.

“O debate sobre passaportes de saúde começou a partir do lockdown, o que deu muito tempo para pensar em ética, logística e custos. Já existem muitos passes relacionados ao coronavírus. É necessário tomar decisões sobre questões como se os passaportes são obrigatórios ou voluntários. Não adiantaria se os passaportes de vacinação fossem obrigatórios e depois houvesse um atraso de seis meses para obter a vacina”, defendeu.

Ilan Kelman: professor de Desastres e Saúde na University College of London, em Londres

Como funcionam os passaportes de imunidade e que exemplos semelhantes já conhecemos hoje?
O documento provaria a vacinação ou recuperação da infecção, em vez da imunidade, porque não sabemos quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou por ter sobrevivido à covid-19. Uma questão em aberto é quais vacinações contariam como “prova de vacinação”? Muitos países já exigem há muito tempo comprovação de vacina contra a febre amarela ou poliomielite para entrar, especialmente se você estiver chegando de um lugar onde essas doenças são comuns. Anteriormente, um dos fatores para erradicar com sucesso a varíola era a prova de vacinação para viagens internacionais.

Como eles contribuem para o controle da pandemia?
Estes passaportes contribuem para o controle da pandemia, reduzindo substancialmente o número de pessoas potencialmente infectadas que viajam. Nenhuma vacina e nenhuma infecção anterior podem ser totalmente eficazes contra uma nova infecção, mas sabemos que se apenas as pessoas vacinadas forem misturadas, como em um avião, a doença tem poucas chances de se espalhar e matar pessoas. No caso de pessoas vacinadas e infectadas, se todos ao seu redor forem vacinados, todas as pessoas terão uma chance muito menor de adoecer gravemente, independentemente da transmissão e infecção. Isso ajuda a controlar a pandemia e nossos profissionais de saúde.

Como serão controladas a falsificação destes documentos?
É necessário tomar decisões sobre a segurança do passaporte de vacinação, proteção geral de dados, quem paga pelo passaporte e quem é responsável por verificar o passaporte antes e depois da viagem internacional (como é o caso dos nacionais).

Loading...
Revisa el siguiente artículo