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Weining Meng, vice-presidente do laboratório Sinovac, João Doria, governador do estado, e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan / Divulgação/Governo de São PauloWeining Meng, vice-presidente do
laboratório Sinovac, João Doria,
governador do estado, e Dimas Covas,
diretor do Instituto Butantan / Divulgação/Governo de São Paulo
Foco 23/10/2020

‘Guerra’ da vacina tem ‘batalha’ entre Butantan e Anvisa

Pandemia. Instituto paulista acusa agência reguladora de retardar autorização para a importação de insumos que serão utilizados na produção do imunizante CoronaVac

Enquanto a população espera ansiosa por uma vacina contra a covid-19, os embates em torno da CoronaVac saem da personalização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e passam para duas instituições chaves na produção e autorização do imunizante: Instituto Butantan e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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O diretor-geral do centro de pesquisas, Dimas Covas, declarou ontem que a agência reguladora está retardando a autorização para a importação da matéria-prima da farmacêutica Sinovac – que possibilitará a fabricação da CoronaVac no Brasil. A informação é da colunista da BandNews FM, Mônica Bergamo.

O plano original do instituto é receber em outubro cerca de 6 milhões de doses da vacina já prontas. Depois, a ideia é fabricar no Brasil outras 40 milhões até dezembro a partir da matéria-prima que chegaria da China.

Dimas Covas afirmou que um pedido formal de liberação excepcional da importação do produto havia sido enviado no dia 23 de setembro. No entanto, ele acrescentou que, ontem, recebeu a informação de que o assunto só será tratado em uma reunião marcada para o dia 11 de novembro.

“A fábrica já está pronta para produzir a vacina. Estamos esperando apenas a autorização para importar a matéria-prima. Uma liberação que ocorre em dois meses deixa de ser excepcional”, disse. A Anvisa informou que “a decisão sairá em, no máximo, cinco dias”.

Ontem pela manhã, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o presidente da agência, Antônio Barra Torres, negou qualquer interferência política do governo. “Nunca houve nenhum pedido, nenhuma sugestão, nenhuma orientação, nada que o presidente Jair Bolsonaro tenha feito em relação ao meu trabalho”, declarou. 

Bolsonaro e João Doria partem para o 2º round

Além do desentendimento entre Instituto Butantan e Anvisa, o dia de ontem também ficou marcado por novos ataques entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Em vídeo publicado no Twitter logo pela manhã, o presidente voltou a dizer que qualquer vacina disponibilizada no país futuramente não será obrigatória.

Além disso, atacou Doria novamente, mas sem citar o nome do governador. “Impor medidas autoritárias é só para esses nanicos projetos de ditadores, como esse cara de São Paulo aí. Eu não ouvi nenhum chefe de Estado do mundo dizendo que iria impor a vacina. Isso é uma precipitação, é mais uma maneira de levar terror junto à população”, disse, na gravação.

O governador de São Paulo, por sua vez, afirmou que Bolsonaro comete um “ato criminoso” ao não permitir a aquisição de 46 milhões de doses do imunizante da farmacêutica chinesa Sinovac, desenvolvido em parceria com o Instituto Butantan.

“Negar o acesso a uma possível vacina em meio a uma pandemia que já vitimou 155 mil brasileiros é criminoso e desumano”, disse o tucano após participar de uma cerimônia de entregas de trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na capital paulista.

No final da tarde, o partido Cidadania ameaçou entrar com um processo de impeachment contra Bolsonaro se ele desautorizar a compra de uma vacina que se comprove eficaz contra a covid-19. A estratégia está sendo avaliada pela cúpula do partido e depende dos próximos passos do governo.