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Venezuela: Após tentativa frustrada de derrubar Maduro, Guaidó convoca protestos diários

O presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, e o presidente do país, Nicolás Maduro Guaidó: Carlos Garcia Rawlins/Reuters | Maduro: Fausto Torrealba/Reuters

Milhares de manifestantes voltaram às ruas da Venezuela ontem para tentar forçar o presidente socialista Nicolás Maduro a deixar o poder. Houve novos confrontos, que deixaram 27 feridos. O líder opositor e autoproclamado presidente interino do país desde janeiro deste ano, Juan Guaidó, conclamou a população a continuar nas ruas até que Maduro deixe o Palácio de Miraflores.

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Na última terça-feira, Guaidó havia declarado que os militares estavam ao seu lado e chamou o povo para derrubar Maduro, mas a liderança das forças armadas permaneceu leal ao ditador, no poder desde 2013, frustrando a investida oposicionista. O saldo dos confrontos de terça-feira foi de 119 detidos, 109 feridos e um morto.

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Havia a expectativa de que Guaidó pudesse ser preso, o que não aconteceu. “Se o regime pensou que havíamos chegado à pressão máxima, eles não podem nem imaginar”, disse Guaidó a milhares de apoiadores em Caracas.

Sob sol escaldante, manifestantes bateram tambores e levaram bandeiras venezuelanas pedindo “liberdade”. Em outro local em Caracas manifestantes com os rostos cobertos com camisetas, atiraram projéteis de uma passarela em oficiais da Guarda Nacional que estavam abaixo. Os militares responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

A oposição venezuelana já promoveu uma série de protestos de rua contra Maduro, mas fracassou em tirá-lo do poder, apesar da profunda recessão econômica e da hiperinflação.

Quem está com quem?

Os venezuelanos que lutam pelo que acreditam ser o melhor para o governo, o povo e o país:

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  1. Com Nicolás Maduro
    Delcy Rodríguez – Ministra das Relações Exteriores. Primeira presidente da Assembleia Nacional Constituinte e ardente defensora do chavismo
    Vladimir Padrino – Ministro da Defesa desde 2014, atua como chefe de todos os ministros, chefe de gabinete do presidente e seu braço-direito
    Diosdado Cabello – Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, foi preterido por Hugo Chávez na sucessão, mas apoia Maduro
  2. Com Juan Guaidó
    Leopoldo López – Fundador e figura principal do Vontade Popular. Estava em prisão domiciliar desde 2014. Pediu refúgio na Embaixada da Espanha
    Henrique Capriles – Duas vezes candidato. Na última perdeu para Maduro por menos de dois pontos. Proibido de se candidatar a cargos eletivos por 15 anos
    Júlio Borges – Ex-presidente da Assembleia Nacional exilado na Colômbia. Acusado de ser responsável por suposto atentado a Maduro

Os países que se engajaram em um dos dois lados da disputa:

  1. Com Nicolás Maduro
    Maduro tem o apoio de países que historicamente se posicionam contra o bloco ocidental liderado pelos EUA. Rússia e China são fortes aliadas no continente e credoras da Venezuela, que oferece petróleo como garantia dos generosos empréstimos.
    Exemplos: Rússia, China, Cuba, Turquia e Coreia do Norte.
  2. Com Juan Guaidó
    Ao lado de Guaidó estão os países que se declaram legitimamente democráticos e para quem a ditadura chavista é responsável pela crise social, econômica e política da Venezuela, quadro que será mudado quando a democracia for restaurada no país.
    Exemplos: EUA, Brasil, Canadá, Espanha e Reino Unido.

Para entender a crise

  1. 04/2013
    Um mês após a morte de Hugo Chávez, seu vice, Nicolás Maduro, vence as eleições presidenciais com 50,62% de votos contra o opositor Henrique Capriles
  2. 02/2014
    Liderada por Leopoldo López, a oposição realiza manifestações para reivindicar a saída de Maduro, com saldo de 43 mortos e prisão de López
  3. 12/2015
    A coalizão de oposição MUD (Mesa da Unidade Democrática) derrota o chavismo, conquistando a maioria das cadeiras do parlamento
  4. 01/2016
    Tão logo a oposição toma posse, o Legislativo é declarado em desacato, e suas decisões, nulas pelo TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), que é chavista
  5. 07/2017
    Eleição de uma Assembleia Constituinte só com apoiadores de Maduro e com poder absoluto, que, na prática, substitui o parlamento eleito legitimamente
  6. 05/2018
    Eleições são antecipadas e boicotadas pela oposição, que denuncia manobra de Maduro para vencê-la. E ele vence. Abstenção é de 54%
  7. 01/2019
    Opositor do regime chavista, o deputado Juan Guaidó se declara presidente interino e é reconhecido por vários países, entre eles Brasil e EUA
  8. 02/2019
    Ajuda humanitária chega à fronteira, mas Maduro proíbe a entrega de doações e mantém fechadas as entradas pelo Brasil e pela Colômbia
  9. 03/2019
    Apagões pelo país provocam caos ao afetar o fornecimento de água, transporte e serviços de telefonia e internet. Intensificam-se os protestos
  10. 04/2019
    Guaidó anuncia ter apoio de militares para pôr ‘fim à usurpação’. Maduro afirma ter lealdade de militares e convoca mobilização nacional: ‘Venceremos’

 

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