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‘A zeladoria não está no nível que desejávamos’, diz Bruno Covas; leia entrevista com o prefeito de SP

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) André Porto/Metro

Perto de completar um ano no cargo, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu o Metro Jornal no seu gabinete para uma entrevista na Quarta-feira de Cinzas e reconheceu que a promessa de campanha da sua chapa com João Doria (PSDB) de elevar a qualidade da zeladoria da cidade ainda não se concretizou. O prefeito falou sobre as expectativas de melhorar o serviço dos ônibus, da regulamentação dos patinetes e do parque Minhocão. Mesmo evitando falar de reeleição, classificou como “fofoca” as conversas de que Doria poderia apoiar outro candidato e disse, com bom humor, que compraria um carro usado do governador, mas que teria dificuldade para pagar. No último sábado, o prefeito saiu de licença não remunerada, “por motivos pessoais”, e na qual permanecerá até esta sexta-feira. No seu lugar, assumiu o presidente da Câmara, vereador Eduardo Tuma (PSDB).

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Nossos leitores fazem muitas queixas sobre zeladoria, principalmente, buraco de rua, mato alto e poda de árvore. O que está sendo feito para tratar destas questões, lembrando que esta era uma bandeira da sua chapa?
A gente tinha 567 mil pedidos não atendidos em 1º de janeiro de 2017. Em 1º de janeiro de 2019, caiu para 212 mil. Estamos limpando o estoque para diminuir o tempo entre a solicitação e o serviço realizado. São Paulo agora tem sistema de monitoramento das equipes de zeladoria on-line. A produtividade aumentou, e isso nos dá tranquilidade para este ano aumentar o recurso. A gente entende que a zeladoria não está no nível que desejávamos e que precisa melhorar. Ano passado tivemos problema com o fechamento da usina de asfalto. Neste ano, já estamos com o segundo lote de licitação para poder ter mais massa asfáltica do que era produzida pela usina e fazer o tapa-buraco. Porém, tivemos dezembro, janeiro e fevereiro mais chuvosos dos últimos anos e o número de buracos novos cresceu muito. Com esse segundo lote, vamos dar conta das solicitações, que vêm aumentando.

Por que ainda temos ônibus sem ar-condicionado?
Dos 15 mil ônibus que tínhamos quando assumimos, só 1,5 mil tinham ar-condicionado. Como a licitação não havia sido realizada e tínhamos contrato emergencial, é muito difícil solicitar investimento por parte do concessionário se ele não tem a tranquilidade que vai permanecer no sistema. Ainda assim, nesses dois anos, foram 2,5 mil novos ônibus e saltamos para 4 mil com ar-condicionado. Esse número tende a crescer agora que estamos na fase de conclusão da concessão. Vamos chegar a 6 mil ou 7 mil até o fim da gestão.

O senhor considera que a licitação dos ônibus foi bem-sucedida, uma vez que as empresas são as mesmas?
Foi bem-sucedida porque está chegando ao final. As empresas são as mesmas, mas o sistema será diferente. A partir de agora, teremos a possibilidade de aumentar ou reduzir o pagamento que é feito para as empresas de acordo com a avaliação dos usuários. Teremos novas formas de cobrar a boa prestação de serviço.

As mudanças vale-transporte [que agora custa R$ 4,57 – mais do que tarifa comum, de R$ 4,30 – e oferece dois embarques no período de três horas e não mais quatro embarques em duas horas] não penalizaram quem mais precisa dele?
O vale-transporte é obrigação do empregador. Não tem sentido a prefeitura subsidiar. O que as empresas de ônibus recebem não muda e eles não vão receber mais por conta disso. A expectativa é de que vamos deixar de gastar R$ 419 milhões anualmente do subsídio que usamos para pagar as empresas de ônibus.

Como garantir que o patrão passe a pagar mais?
É obrigação trabalhista. É a mesma coisa que não pagar fundo de garantia, 13º salário, férias. Não tem sentido a prefeitura pagar por obrigação que é da empresa. Lembrando que não muda nada para o trabalhador.

Qual a sua opinião sobre os aplicativos de transporte individual, como o Uber?
Vieram para ficar, não tem como retroceder. O que a prefeitura tinha que fazer, foi feito, que é a regulamentação, para dar tranquilidade e segurança para o usuário. Temos o cadastro dos carros, dos motoristas e com esses números podemos discutir eventual regulamentação do teto [de carros]. Mas dizer hoje que o teto tem que ser de 30 mil ou 80 mil é um tiro no escuro. Com o cadastro, vamos conseguir planejar e chegar ao número mais real.

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Agora estamos em outra onda de aplicativos, com patinetes e bicicletas elétricas, scooters, mas ainda não há regulamentação e vemos problemas, como patinetes nas calçadas. O que fazer?
Abrimos chamamento para discutir com a sociedade a regulamentação. A gente precisa, de uma vez por todas, definir se o patinete pode ou não andar na calçada, se pode ir na ciclovia. É isso que a regulamentação vai dizer. Estamos discutindo com os técnicos. Normalmente, a regulamentação de São Paulo é copiada ou baliza o que é feito no país afora, por isso não podemos fazer do dia para a noite. Esse é o tempo da discussão. Espero o texto pronto neste primeiro semestre.

É possível que a criação do parque Minhocão seja a marca da sua gestão. Quem mora ali tem duas preocupações: a piora no trânsito e a possível subida para o parque dos moradores de rua e usuários de droga que hoje estão embaixo do Minhocão. Como evitar isso?
Vamos focar no primeiro trecho, que vai da praça Roosevelt ao largo Santa Cecília. O segundo trecho, em cima da avenida São João, vai continuar sendo utilizado como viário. Estamos adaptando um estudo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) para verificar o real impacto por conta da desmobilização desse primeiro trecho e quais as obras teremos de fazer no viário. O parque serve também para uma questão de mobilidade. Um terço dos deslocamentos em São Paulo é feito a pé, em especial na região central. Será um parque integrador dessas áreas, com acesso ao futuro parque Augusta. Sobre o segundo trecho, é o prefeito que vai me suceder em 2021 definirá se prolonga o parque até a Barra Funda. A questão social não está relacionada ao Minhocão como viário ou como parque. Precisa ser enfrentada independentemente dessa questão. Temos ali um problema social, de saúde e de segurança e estamos trabalhando nas três vertentes para tentar resolver ou atenuar.

A Cracolândia tem situação parecida. Com a ação no centro, se criou outras “mini cracolândias” na região. Esse problema tem jeito?
Embora se tenha a questão de segurança e assistência, na Cracolância, a questão da saúde é a principal. A dependência química é um problema de saúde grave. O mundo inteiro, quando enfrentou questões de cracolândia, aprovou legislações proibindo aglomeração de pessoas, o que é inviável no sistema jurídico brasileiro. O enfrentamento aqui é na área da saúde, com assistência. Devemos lançar neste primeiro semestre uma segunda etapa do programa que lançamos em 2017 e que acabou com um problema: o dos lugares onde o poder público era impedido de entrar. Hoje, a gente não tem mais isso. A Cracolândia espalhou, mas essa dispersão ajuda as equipes de abordagem.

Se a questão da saúde é prioritária, por que a ideia de multar em R$ 500 quem consome drogas nas ruas?
É mais uma alternativa para enfrentar esse problema, que não é simples nem tem saída única. Se com essa medida eu consigo tirar mais um [do vício em drogas], é uma vitória.

É candidato à reeleição?
Me preocupo com 2019…

Mas o Doria tem acenado com a possibilidade de apoiar a candidatura da deputada federal Joice Hasselmann (PSL), com convite para que entre no PSDB…
Isso é fofoca, fofoca.

Para simplificar: o senhor compraria carro usado do governador João Doria?
Claro! Mas eu não teria recurso para comprar carro usado dele. O usado dele é muito mais caro do que o meu novo. Mas sem problema. [risos]

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