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Beira-Mar se comunicava por bilhetes na marmita

A Polícia Federal fez uma megaoperação na manhã desta quarta-feira, em cinco Estados e no Distrito Federal, para prender a família e demais integrantes da quadrilha do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Os federais cumpriram 86 mandados de busca e apreensão, 27 de condução coercitiva e 35 de prisão. Ao todo, 24 pessoas foram presas, 14 delas só no Rio de Janeiro, entre elas cinco filhos e quatro sobrinhos do traficante, além de três advogados – um deles é a irmã de Beira-Mar, Alessandra da Costa. Ela é apontada como conselheira do chefe da quadrilha e acusada de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Entre as apreensões da operação estão R$ 100 mil em espécie, 150 caixas de cigarro e 200 cestas básicas. Preso desde 2001, condenado a 328 anos de detenção, Beira-Mar chefiava a quadrilha de dentro da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, graças a um engenhoso esquema de comunicação por escrito.

Beira-Mar dava ordens aos cúmplices que estavam em liberdade por cartas e bilhetes. Daí o nome da operação: Epístolas. As investigações começaram há cerca de um ano, quando agentes federais encontraram um bilhete picotado dentro de uma marmita no presídio. Peritos juntaram   os pedaços do papel, reconstituíram as anotações e um exame grafotécnico atestou que a letra era do traficante.

“O patrimônio dele é estimado em mais de R$ 30 milhões, sempre em nome de terceiros, para dificultar a ação da polícia”, revelou o delegado da Polícia Federal em Rondônia, Leonardo Marino.

Ao todo, a polícia apreendeu 50 mensagens escritas por Beira-Mar ou dirigidas a ele. O esquema funcionava com a ajuda de outro preso, que tinha direito a visitas íntimas e mandava e recebia as mensagens pela parceira.

Mesmo atrás das grades, Beira-Mar explorava negócios como caça-níqueis, lava-jato, venda de gás, abastecimento de água e mototáxis, que tinham que pagar propina ao traficante. A quadrilha movimentava mais de R$ 1 milhão por mês.  A área de atuação do criminoso englobava 13 comunidades, todas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Nove empresas da região, como bares e restaurantes, participavam do esquema, lavando o dinheiro do tráfico e da venda de armas. As autoridades bloquearam 51 contas ligadas à quadrilha.  

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