Brasil

Cabral nega propinas, mas admite caixa 2

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral confessou ontem ao juiz Sérgio Moro ter feito despesas pessoais com “sobras de campanha”, o que reconheceu ser caixa 2, mas negou ter recebido propinas no âmbito da Petrobras.

Cabral e a mulher, Adriana Ancelmo, foram levados do Rio a Curitiba em um avião da PF (Polícia Federal) para depor pessoalmente ao juiz.

Orientado pela defesa, o peemedebista não respondeu perguntas de Moro e do MPF (Ministério Público Federal), mas negou ter recebido propinas da Andrade Gutierrez por contratos do Comperj, da Petrobras, como acusa o MPF.

Nas respostas ao próprio advogado, o ex-governador afirmou que nunca tratou de propinas com o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Questionado sobre várias despesas pessoais que somam R$ 2,7 milhões, e feitas em depósitos bancários no limite de R$ 10 mil para fugir à fiscalização – dinheiro que o MPF diz ser propina da empreiteira –, Cabral afirmou que pagou tudo com dinheiro próprio ou sobras de campanha.

Eu reconheço esse erro. São recursos próprios e recursos de sobras de campanha, de caixa 2. Nada a ver com a minha mulher, muito menos com essa acusação de Comper

Ao depor a Moro, Adriana disse que “imaginava” que o marido podia bancar as compras, mas alegou não saber detalhes. “Minha relação com Sérgio foi sempre matrimonial”, disse.

‘Não é vaca amarela’

O início do depoimento de Cabral teve um trecho pitoresco. Ele informou que só responderia à própria defesa e Moro disse que faria suas perguntas mesmo assim. Nesses casos, o acusado costuma dizer “vou me manter em silêncio”, mas Cabral ficou realmente calado, sorrindo para Moro. O juiz então esclareceu: “No silêncio, o senhor tem que dizer que não responde, não é ficar brincando de vaca amarela”.   

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