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Hemorio vai vacinar contra febre amarela a partir desta terça

A chegada da febre amarela silvestre ao Rio de Janeiro provocou uma corrida aos postos de saúde em busca da vacina. Até agora, já são 35 casos suspeitos da doença no Estado, com dois confirmados, ambos em Casimiro de Abreu, e 21 descartados, segundo a Secretaria estadual de Saúde. Apesar da distância de cerca de 150 km para a  capital, a morte do pedreiro Watila Santos, de 38 anos, lá no município da Baixada Litorânea, criou pânico por aqui e gerou uma corrida aos postos.

“Depois de confirmados esses casos, fiquei muito preocupada com o meu filho [de 3 anos]. O desespero aumenta. Eu não me vacinei, mas antes de qualquer coisa tenho que imunizá-lo”, disse a psicóloga Daniela Pimenta.

Apesar da preocupação, as secretarias estadual e municipal de Saúde garantem que não há motivos para pânico, pois não há casos suspeitos na capital. A campanha para a cidade começa na próxima segunda-feira, segundo a prefeitura, que aguarda a chegada de mais 1,5 milhão de doses para intensificar a vacinação. A pasta municipal informou que o número de postos com vacina subirá de 34 para 233.

Antes disso, porém, a cidade contará com um reforço de peso. A partir de amanhã, o Hemorio passará a funcionar também como posto de vacinação e irá disponibilizar, diariamente, das 7h às 18h, 500 doses da vacina. No entanto, não será possível apenas se vacinar. Quem procurar o hemocentro terá que, necessariamente, se candidatar à doação. Quem efetivamente doar sangue será vacinado, assim como os que forem considerados inaptos à doação, após passarem por triagem.

“Essa foi uma estratégia montada para evitar o desabastecimento de sangue em todo o Estado, já que a pessoa que se vacina contra febre amarela deve ficar quatro semanas sem doar”, esclareceu o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Apesar do reforço, não há necessidade de ficar horas esperando em filas. Para médicos especialistas, muita gente está se precipitando, já que o risco de contágio na cidade é considerado muito baixo. “Não necessita de pressa. Em mais uma semana, a vacina será distribuída em um número maior de lotes. Dá para esperar com tranquilidade. Nesse momento, não há nenhum dado que justifique uma pressa acentuada para a vacinação da população aqui no Rio”, tranquilizou o infectologista Alberto Chebabo.

Por enquanto, a orientação é vacinar apenas quem vai viajar para as áreas de surto. Mas, como não há exigência de comprovante, o atendimento é por ordem de chegada. E, com tanta procura, quem tem urgência às vezes fica sem. Com viagem marcada justamente para Casimiro de Abreu, a empresária Cristiane Raine tentou bastante, mas não conseguiu se vacinar: “Qual é a saída? Sair correndo, chorar… Desespero! Tem gente que chegou às 4h e ainda conseguiu se vacinar, mas teve quem chegou às 6h40 e não conseguiu.”

Na sexta-feira, após um macaco morto com suspeita de febre amarela ser encontrado em Juiz de Fora (MG), que faz divisa com a Região Serrana do Rio, a Secretaria de Estado de Saúde ampliou a campanha de vacinação. Desde sábado, já são 64 cidades nas quais toda a população deve ser vacinada de imediato. Para o restante do Estado, o plano é imunizar os moradores gradualmente, até o fim do ano.

arte-aedes

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