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Investimento permite ganhar na alta sem perder na baixa

A versão nacional das notas estruturadas, amplamente difundidas nos Estados Unidos e Europa, tende a se tornar comum entre investidores. Emitidos por bancos desde 2014, os chamados COEs (Certificados de Operações Estruturadas) também passam agora a ser distribuídos por corretoras.

A aplicação financeira mescla características de rendas fixa e variável, permitindo o acesso do investidor a novos mercados, como commodities, câmbio e índices internacionais. “O COE pode ser a cereja do bolo do portfólio, o instrumento de diversificação dos investimentos”, diz Fabio Zenaro, superintendente de Produtos da Cetip.

Segundo Zenaro, no Brasil, 93,6% dos COEs têm capital protegido. Isso significa que o investidor tem garantida a devolução de, no mínimo, o valor aplicado inicialmente.  Por outro lado, em um cenário favorável de retorno, ele fica apenas com uma parte da rentabilidade, em vez da valorização integral. “Há também estruturas que não garantem a totalidade do capital investido e que são ofertadas a um perfil de cliente mais propenso ao risco”, afirma.

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O cálculo da rentabilidade varia de acordo com o indexador do COE (inflação, câmbio, ações etc) e com o cenário de ganhos e perdas (pay out) de cada produto. Desde o seu lançamento, 59% das aplicações vencidas apresentaram ganho superior ao do CDI.

Segundo Zenaro, em outros países, o COE avançou mais em cenários que a taxa de juros era baixa. Isso pode afetar a procura pelo produto no atual momento, de alta de juros, quando investidores tendem buscar mais a renda fixa. “Se a ideia do investidor for diversificação, este é um excelente instrumento”, diz.

Na Easynvest, uma das corretoras que começaram a oferecer COE, há certificados indexados ao Ibovespa, IPCA, câmbio e ações no exterior. “Estamos estudando outros modelos”, diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da corretora. O investimento mínimo é de R$ 10 mil, mas já foram realizadas operações de R$ 5 mil, valor bem inferior ao exigido no início da distribuição pelos bancos, de até R$ 100 mil.

Riscos 

O principal risco da aplicação é o de quebra do banco emissor. O COE não é assegurado pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). “O investidor deve buscar emissores com reputação de confiabilidade e solidez no mercado” orienta Gabriel Hideki Erbano, professor da BSP – Business School São Paulo.

Erbano ressalta que o valor inicial garantido não significa que o investidor está livre de riscos. “Enquanto um investidor poderia ter recebido 100% do CDI em uma aplicação ‘normal’ de CDB, ele só recebe a garantia de obter, por exemplo, 50% do CDI em uma aplicação em COE com valor nominal protegido”, explica.

Os COEs normalmente não têm liquidez, ou seja, o investidor precisa continuar com o dinheiro aplicado até o prazo mencionado no contrato. “Havendo uma necessidade imprevista, ele será obrigado a buscar recursos de outras fontes”, diz Erbano. O professor recomenda que o investidor busque um especialista em investimentos e tenha uma ideia clara dos riscos e cenários de rentabilidade. 

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