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Quase metade dos reajustes salariais perde para a inflação

Diante da crise e da inflação em patamares ainda elevados, mais categorias tiveram dificuldades para conseguir reajustes salarias acima da inflação. Segundo dados preliminares do fornecidos pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de 102 negociações fechadas no primeiro trimestre, quase metade (49%) teve aumento abaixo da variação do INPC. Os acordos resultaram em uma queda real média de 0,55%.

“Os dados apontam o prosseguimento da piora das negociações coletivas”, afirma o técnico do Dieese Luís Ribeiro, ressaltando que eles são preliminares e mais categorias ainda vão fechar acordos. O levantamento aponta que 27,5% das negociações concluídas entre janeiro e março tiveram aumentos iguais à inflação e 23,5% reajustes acima da variação do INPC.

A fatia de categorias com reajuste abaixo da inflação estava em 47,7% em janeiro,  passou para 30,8% em fevereiro e subiu para 62,5% em março. No primeiro trimestre do ano passado, esses índices eram bem menores: em janeiro, ficou em 1,1%; em fevereiro, 9,1% e em março, 10%.

Considerando todo o ano de 2015, 18,1% das categorias conseguiram aumentos  acima da inflação. Em 2014, esse percentual era de 2,4%. “As negociações têm sentindo efeito da conjuntura econômica ruim e da inflação alta, o que vem ocorrendo desde o ano passado”, explica Ribeiro.

Até janeiro, a inflação medida pelo INPC acumulada em 12 meses foi de 11,28%. Em fevereiro, chegou a 11,31%, desacelerando em março a 11,08%. No mês passado, alta do INPC em 12 meses ficou em 9,91%.

Mesmo com a crise, Ribeiro diz esperar negociações mais favoráveis devido à desaceleração da inflação. “O cenário é incerto, depende várias variáveis e uma delas é a inflação. No segundo semestre, teremos grandes categorias que vão negociar com uma inflação abaixo dos patamares atuais.” 

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