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Especialista explica como redução de velocidade ajuda no trânsito

Marginal Pinheiros já tem limite de 50 km/h  | Luiz Claudio Barbosa/Folhapress
Marginal Pinheiros tem limite de 50 km/h desde 20 de julho | Luiz Claudio Barbosa/Folhapress

Nos últimos dois meses, com a redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, o número de acidentes com vítimas nas vias caiu 36% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a lentidão diminui 8%.

Mesmo com o resultado positivo, a medida ainda causa polêmica entre moradores da capital, mas, segundo o professor Carlos Alberto Bandeira Guimarães, da Unicamp, a resolução está alinhada com o que acontece em outras grandes cidades do mundo.

“Essa é uma ação importante”, explica. “A possibilidade de ocorrer um acidente está diretamente relacionada à velocidade. Então, se você baixar a velocidade, vai diminuir os acidentes, porque dá tempo para reagir e evitar a colisão”, explica o especialista em engenharia de transportes.

Além disso ele explica que, em velocidade reduzida, a gravidade do impacto é menor.

A diminuição dos congestionamentos, porém, não está necessariamente atrelada ao menor número de acidentes, que teoricamente complicariam o trânsito nas vias.

Guimarães explica que, com a redução de velocidade, os carros chegam com menos velocidade às áreas de lentidão ou onde é preciso andar mais devagar, dando tempo para que a tráfego flua de maneira uniforme.

“Se você chega muito rápido à via e a velocidade cai, de repente, o efeito disso é o congestionamento. Se a velocidade é baixada como um todo, diminui também a possibilidade de congestionamento”, afirma o engenheiro.
Ele cita como exemplo o que acontece em um trecho rodoviário na Espanha, que liga Barcelona ao aeroporto da cidade.

“Lá ocorre uma coisa interessante: tem uma ligação do aeroporto com a cidade e, quando o tráfego vai aumentando e congestionando, eles vão, através de sinais luminosos, abaixando a velocidade medida pelo radar”, conta. “Isso acontece para você se atrasar e chegar depois no congestionamento, para dar tempo de fluir. Se o pessoas que estão atrás chegarem rápido, você aumenta a fila”, finaliza.

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