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Nível do Sistema Cantareira cai mais e fica abaixo de 10%

Volume morto do Cantareira começará a ser usado no dia 15 | Danilo Verpa/Folhapress
Volume morto do Cantareira começará a ser usado no dia 15 | Danilo Verpa/Folhapress

O nível do sistema Cantareira, que abastece cerca de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo, caiu ainda mais e chegou a 9,8% nesta terça-feira, o mais baixo da história. Para efeito de comparação, no dia 6 de maio do ano passado, o índice era de 62,1%. E a crise no sistema de abastecimento de água em São Paulo já deixou de ser um problema “técnico”, como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vem dizendo, para se transformar em munição para os candidatos da oposição na corrida pelo governo de São Paulo.

Em sabatina no portal UOL também nesta terça, o pré-candidato do PT, Alexandre Padilha, acusou Alckmin de não ser transparente em relação ao problema. (leia mais abaixo) “Se eu fosse governador já teriam sido executadas as obras que estão há dez anos paradas”. Padilha também criticou a Sabesp, dizendo que a empresa não fez os investimentos necessários para evitar o racionamento.

Captura de Tela 2014-05-06 às 21.32.14Sem previsão de chuva significativa nos próximos meses, Alckmin aposta no “volume morto” do Cantareira, que começará a ser usado no dia 15. O secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirmou que  a água de reserva será suficiente para garantir o abastecimento até março de 2015.
Serão investidos R$ 80 milhões para bombear 200 bilhões de litros de água dos 400 bilhões existentes abaixo do volume normal de captação (veja quadro abaixo).

O governo também aposta na redução do consumo. Para isso, pretende multar em 30% os consumidores da região metropolitana que aumentarem o consumo em relação ao gasto médio de água registrado em 2013. Já as pessoas que conseguirem economizar 20% receberão desconto de 30%.

O governo estadual havia afirmado que a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) definiria ontem a cobrança da multa, mas a decisão foi adiada. Nem o governador nem a Sabesp comentaram as críticas de Padilha. Anteontem, Alckmin voltou a descartar o racionamento e garantiu o abastecimento até o final de 2015. Para isso, conta com a volta da chuva e com a captação de água em outras fontes, como o sistema Alto Tietê, além de obras para buscar água em regiões mais distantes, como o sistema São Lourenço, no interior do Estado.

 

Captura de Tela 2014-05-06 às 21.32.21É preciso recuperar as áreas de nascentes
O consultor ambiental Alessandro Azzoni diz que o governo estadual não tomou as providências necessárias para evitar a crise hídrica em São Paulo.

“É preciso recuperar as nascentes do sistema, prejudicadas por construções privadas. Isso ajudaria a resolver o problema sem depender tanto das chuvas”, diz o especialista.
Além disso, Azzoni critica o alto índice de desperdício na distribuição da água por causa de vazamentos e ligações clandestinas.
“Hoje perdemos cerca de 31% da água entre a estação de tratamento e o consumidor. O ideal seria reduzir esse índice para 8%”.

O professor de engenharia ambiental da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) Benedito Braga afirma que a única maneira de evitar o racionamento é usar o “volume morto”do Cantareira.

Segundo ele, após tratamento adequado, a água do “volume morto” não irá oferecer nenhum risco à saúde. Além disso, Braga diz que o custo da captação não será repassado ao consumidor na conta de água.

Para Braga, a situação só vai melhorar com a ajuda da população, que precisa usar a água de forma racional, e com a volta das chuvas. “Estamos na UTI. A solução é rezar para chover.”

Os dois especialistas concordam com a cobrança de multa para quem aumentar o consumo médio.
“Em um momento como esse, é preciso combater o desperdício. A situação é grave e a população precisa colaborar”, diz Braga.

 

Padilha foca em segurança e transporte 
O pré-candidato do PT ao governo, Alexandre Padilha, criticou a política de segurança do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Para o petista, o Estado precisa ter coragem para enfrentar o PCC, que montou escritórios nos presídios paulistas. Durante sabatina no portal UOL, ele  ainda afirmou que o governo é pouco proativo para realizar parcerias com o Ministério de Justiça. Com relação ao transporte público, Padilha disse que elevará o subsídio para metrô e para CPTM com o objetivo de manter a tarifa em R$ 3.

O petista negou que, durante seu período como ministro da Saúde, autorizou parcerias com o laboratório Labogen, investigado pela Polícia Federal.

 

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