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Bebês prematuros vencem luta pela vida em UTI

O nascimento prematuro de um bebê causa sustos nos pais e nas famílias, e pede uma luta para enfrentar essa fase. Foi o que aconteceu quando nasceu Beatriz, que deixou a barriga da mãe dois meses antes. “Eu tive um sangramento e o colo do útero foi encurtando”, conta Gerusa, mãe da menina. “Fiquei internada, tentaram inibir, para que ela não nascesse antes do tempo, mas a minha placenta descolou. O parto foi uma cesariana de urgência”.

Gerusa trabalha, há 12 anos, como secretária da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), o Hospital Universitário da Unicamp, a Universidade de Campinas, no interior de São Paulo. “O mais difícil é você ir embora sem o bebê porque, quando você pensa em ter filhos, você quer ter uma gestação tranquila”.

É considerado prematuro o bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação. As causas do nascimento antes do tempo podem ser várias, conta Alice D’Agostini Deutsch, coordenadora médica de UTI Neonatal. “Uma mãe sem cuidados, processos infecciosos maternos”. E até a gravidez de gêmeos é um fator de risco.

Apesar do susto, a balconista Cremilda de Jesus está conseguindo curtir seus dois bebês. Eles nasceram há dez dias e já foram internados. “Eu saio, chego lá fora e já começo a chorar com saudade deles”.

UTI simula condições do útero para o bebê:

Cuidados

Uma situação especial é quando os bebês estão com doenças graves e até incuráveis, o que pede uma maior atenção da equipe médica. “Cuidar. E, no nosso caso, isso está muito relacionado com o bebê, mas também está muito relacionado com a família. As famílias também precisam ser cuidadas”, observa a médica neonatologista Jussara de Lima e Souza.

A diretora de Neonatologia do Caism, Izilda Rodrigues Rocha, diz que a UTI simula as condições do ambiente que os bebês têm no útero. “Lá, [a criança] está dentro do líquido, quentinha”. O equipamento, por exemplo, cria uma atmosfera umidificada para evitar que o bebê perca muita água.

A fé também é uma parte importante do processo. Amanda está na UTI há três meses. Ela não teve pressa para nascer, mas começou a sangrar na primeira semana de vida. Teve de ser operada às pressas e perdeu parte do intestino. Como promessa para a pronta recuperação dela, os pais da menina rezam em quatro momentos do dia: às 2h, às 6h, depois do almoço e antes de dormir.

Mas, depois da terapia, o passado serve apenas para aumentar as forças para a curtir a situação estabilizada, como no caso de Pedro Henrique, que saiu da UTI há três meses. “Estava uma luta grande: só choro e desespero. Ele nasceu e já precisou ser reanimado. Ele teve uma parada, ficou bem roxo, e uma infecção da bolsa que se rompeu”, conta Aline Batista Sabino, mãe do menino. Passados os problemas, agora ela espera só alegria. “Pra gente curtir o Pedro”.

Famílias acompanham recuperação dos bebês:

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