Esporte

‘O futebol só aceita o negro atleta’, diz o técnico Sérgio Soares

O treinador fala que ‘não ser racista’ não é suficiente, é preciso ser ‘antirracista’

Anderson Lira/FramePhoto/Folhapress

“Não basta mais não ser racista. Agora precisa ser antirracista, seguir por esse caminho”. É assim que o técnico Sérgio Soares vê o momento crítico em que a discussão volta à pauta por consequência dos últimos acontecimentos dentro e fora do Brasil.

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Para o treinador, que faz parte de uma minoria de técnicos negros em atividade no futebol brasileiro, a discussão por si só não leva a lugar nenhum. “É um movimento inicial e positivo, mas precisamos de ação. Os oito minutos e 46 segundos que o George Floyd ficou sem respirar é muito significativo. Vivemos isso o tempo todo, somos sufocados”.

O técnico, que antes da parada da pandemia estava à frente da Ferroviária, no Paulistão, brigando por uma vaga à próxima fase, entende que o futebol aceita bem o negro atleta, mas não em um cargo de comando. “O futebol é coletivo e aí o negro é inserido. Quando se fala em ocupar um cargo de comando, de capacidade de gestão, então o negro não aparece”.

Ainda assim, Sérgio Soares acredita que não adianta o treinador se vitimar. “O que a gente precisa é se capacitar, se preparar para quando a oportunidade surgir. O futebol não é um mundo à parte e reflete a sociedade como um todo”.

Para o treinador, as chances são diferentes e as oportunidades podem ser contestadas. “Fui vice-campeão Paulista em 2010 com um Santo André propositivo, que jogava pra frente, diante do melhor Santos daquela época pra cá. Minha carreira não decolou. O Dorival (Júnior), que é meu amigo, foi vice com o São Caetano, em 2007, e de lá se transferiu diretamente para o Cruzeiro”, analisa.

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