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Jennifer Connelly: “‘Matéria Escura’ é um retrato do casamento”

A nova série da Apple TV+ ‘Matéria Escura’ propõe vidas alternativas aos protagonistas

Jennifer Connelly en Materia Oscura
Jennifer Connelly em Matéria Escura

Baseado no livro de Blake Crouch, aclamado como um dos melhores da década de ficção científica, ‘Matéria Escura’ conta uma história sobre o caminho não tomado. A série apresenta Jason Dessen, interpretado por Joel Edgerton, um físico, professor e homem de família que, numa noite, enquanto caminha para casa pelas ruas de Chicago, é sequestrado por uma versão alternativa de si mesmo. O espanto rapidamente se transforma em pesadelo quando ele tenta retornar à sua realidade em meio à alucinante paisagem de vidas que poderia ter vivido. Neste labirinto de realidades, Jason Dessen embarca em uma jornada angustiante para voltar à sua verdadeira família e salvá-los do inimigo mais aterrorizante e invencível que possa imaginar: ele mesmo.

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Embora Daniela - interpretada por Jennifer Connelly - com quem Jason está casado em sua vida original, seja uma mãe trabalhadora, ela é retratada como uma artista bem-sucedida que não se contentou com o casamento na versão alternativa da vida de Jason. Essa dupla existência foi o que atraiu Connelly, que queria interpretar uma mulher com diferentes versões de sua realidade. “Esse aspecto da série me pareceu intrigante e divertido: como se apresentar em diferentes mundos onde diferentes circunstâncias a impactaram. É uma homenagem à experiência da vida, um retrato do casamento”, revela a atriz.

Embora Connelly, que ganhou um Oscar por interpretar a física Alicia Nash em 'Uma mente brilhante' (2001), possa ter desempenhado papéis semelhantes anteriormente em 'Réquiem para um sonho', 'Top Gun: Maverick' ou na série de televisão 'Snowpiercer', ela diz que aborda seus personagens sem se basear em sua experiência ou em sua vida atual. "A série é um belo retrato do casamento. São duas pessoas que se apaixonam uma e outra vez em realidades diferentes, esse amor é representado na luta desse homem para voltar para casa com a família que ama. O fato de essa família existir em um plano diferente da realidade é um elemento visual surpreendente. Acho que é uma boa maneira de entender o casamento e o processo ao qual somos submetidos pelas diferentes experiências que vivemos", observa.

Connelly admite não se inspirar em seus personagens anteriores, mesmo que possam ter passado por situações semelhantes. "Mesmo que interprete o mesmo papel, consigo encontrar em cada material detalhes diferentes para representar o personagem de forma distinta em um local diferente".

"A série explora as complexidades dos seres humanos diante de circunstâncias extraordinárias. Meu personagem é muito rico, misterioso e complicado. Uma mulher em três dimensões com uma profundidade que não é fácil de encontrar em outros roteiros. Para mim, isso é mais importante do que seu protagonismo."

—  Jennifer Connelly, sobre a trama de "Materia Escura"

Um aspecto chave que define o personagem de Daniela é a dor que ela enfrenta diante de sua realidade, uma dor que Connelly decidiu canalizar nas emoções. "Trata-se de alcançar um lugar humano com o qual todos nos identificamos. Eu não faço isso diretamente. Eu passo muito tempo pensando em cada detalhe dos personagens, tentando construí-los o mais reais e concretos possível. Quando eu faço uma cena, eu me entrego à experiência do personagem em vez de pensar conscientemente em mim se estivesse naquela situação", aponta a atriz nova-iorquina.

Connelly reflete sobre trabalhar ao lado de Joel Edgerton: "Ele é um ator que toma decisões sutis ao interpretar diferentes versões de Jason. Joel é um ótimo ator com quem eu estava ansioso para trabalhar. Foi muito interessante o que ele fez. São diferenças muito pequenas em seus gestos, comportamento e na forma como seus personagens responderiam a diferentes circunstâncias".

Aos 53 anos, sua beleza escura de olhos claros, comparada à de Elizabeth Taylor, traz profundidade e dimensão à noção de esposa sofrida que tantas vezes interpretou. "Daniela é uma pessoa bastante aberta com uma conexão com Jason que se repete várias vezes. Mas, ainda assim, descobrimos diferenças fundamentais entre os dois", acrescenta.

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Depois de sua reveladora e comovente interpretação de uma viciada em drogas em 'Réquiem para um Sonho' de 2000, Connelly é considerada uma atriz de primeira linha, embora seu caminho tenha começado antes, quando atuou como adolescente em seu primeiro filme, 'Era uma Vez na América' (1984), de Sergio Leone. "Quando jovem, eu era mais insegura e mais supersticiosa. Minha abordagem ao meu trabalho mudou ao longo dos anos, evoluiu. Quando olho para trás, eu rio de mim mesma porque lembro dos meus medos. A vida é uma aprendizagem e agora tenho mais confiança em minha capacidade de desenvolver personagens. Não preciso dar 20 voltas em um quarto para me colocar na pele de uma mulher misteriosa, sei como fazer isso sem depender dos meus medos".

Nesta nova etapa, Connelly se aproximou do gênero de ficção científica, um gênero onde os personagens femininos têm ganhado destaque. "Não sou uma especialista em séries, filmei muitos filmes, é verdade, mas não fiz tantas séries de televisão. Acredito que o papel da mulher, em geral, tem avançado e hoje vemos muitos projetos liderados por mulheres. O mundo não é preto e branco. Acho importante destacar que há espaço para compartilhar protagonismo e liderança entre homens e mulheres, esses são os projetos que eu gosto. A série explora as complexidades dos seres humanos diante de circunstâncias extraordinárias. Meu personagem é muito rico, misterioso e complicado. Uma mulher em três dimensões com uma profundidade que não é fácil de encontrar em outros roteiros. Para mim, isso é mais importante do que seu protagonismo", conclui.

Em maio ocorre a estreia da série na Apple TV+

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