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Pato presidente e árvores de algodão-doce: livro apresenta visão distópica do Brasil pós-2016

Autor Gabriel Fabri concorre ao 6º Prêmio Kindle de Literatura

Uma cidade em que as ruas têm árvores de algodão-doce e todas as garotas precisam ter cabelo rosa, enquanto os meninos usam azul. É nela que a história de Alice se desenrola. A jovem moradora de Patown guarda um segredo. Melhor, dois: enquanto cultiva uma atração secreta pela melhor amiga, também sonha em ser pedida em casamento pelo capitão do time de futebol. Até o momento em que sua assistente pessoal eletrônica faz um desafio inusitado.

Em “O Pato - Uma Distopia à Brasileira”, o escritor Gabriel Fabri imagina um futuro alternativo para o Brasil pós-2016. Tudo começa quando o povo, cansado da política e da pobreza, resolve eleger um pato de borracha como o novo governante.

Soa familiar?

“A história nasceu como um roteiro para a pós-graduação que eu estava fazendo na época [do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef]. Independentemente de ter críticas ou não ao governo daquela época, eu enxergava aquilo como um golpe. A gente sempre sabe como um golpe começa, mas nunca como um golpe termina. Então eu sabia que podia ficar bem ruim”, conta Fabri.

E de onde surgiu a ideia de colocar um pato como presidente? “O pato foi o símbolo de todo aquele movimento de 2016, que botou a gente nessa confusão de hoje”, explica.

“O Pato - Uma Distopia à Brasileira” concorre ao 6º Prêmio Kindle de Literatura, conduzido pela Amazon e pelo Grupo Editorial Record. Mais de duas mil obras de jovens autores brasileiros buscam uma vaga entre os finalistas, que serão anunciados no dia 13 de dezembro.

Formado em jornalismo, o autor também é especialista em Cinema, Vídeo e TV. É nas películas de David Lynch, Luis Buñuel e Alejandro Jodorowsky que Fabri se inspira para conceber a narrativa de “O Pato”. Ao mesmo tempo, o livro também tem forte influência de todo o universo pop millennial, de videoclipes de divas internacionais a filmes como “Jogos Vorazes” e “Meninas Malvadas”.

“Os leitores deJogos Vorazes’ cresceram, então não faz sentido ter uma protagonista tão idealizada e nem deixar certos temas de fora, mesmo que parte da ação se passe entre os muros de um colégio”, defende.

Ele ainda ressalta a importância da representatividade bissexual em sua obra. “É raro ver o tema da bissexualidade ser retratado na literatura, especialmente no gênero distópico, por isso quis explorar com honestidade essa fase de descobertas, confusões e incertezas”, esclarece.

Além da distopia, Fabri também é autor de “Fora do Comum - Os Melhores Filmes Estranhos” e “Fora do Comum - Vol. II: Filmes Ainda Mais Estranhos”, livros que deram origem a cinelist homônima no Telecine. Colaborou com críticas para o livro “O Melhor do Terror dos Anos 90″ (Editora Skript, 2021).

“O Pato - Uma Distopia à Brasileira” está disponível para compra pelo site da Amazon, no valor de R$ 24,90. O livro tem 197 páginas.

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