Como o Kraftwerk revolucionou o pop

Por Eduardo Ribeiro - Metro

Florian Schneider, um dos fundadores do Kraftwerk, grupo alemão formado em 1970 em Düsseldorf que revolucionou a música pop ao abraçar sintetizadores e batidas eletrônicas, morreu semanas atrás. Em comunicado, a banda informou que a causa da morte de Schneider foi um câncer, “apenas alguns dias” após seu aniversário, em 7 de abril. Ele tinha 73 anos.

Fundado por Schneider e Ralf Hütter, o Kraftwerk surgiu como parte da vertente chamada krautrock – um subgênero do rock experimental alemão que explorava ritmos repetidos e estendidos. No caso deles, seus experimentos levaram  a uma ampla influência sobre o rock, a dance music e o hip-hop.

Mais que isso, sem o Kraftwerk não teríamos nem sequer o funk brasileiro. Pois foi a partir de samples e loopings das batidas da faixa “Numbers”, a terceira do álbum “Computer World”, lançado em 1981, que Afrika Bambaataa criou o eletro-funk, pai do funk carioca. Da mesma forma, os beats muito utilizados em bases dos primeiros “raps” tirados de sons como “808 Volt Mix” (1988), do DJ Battery Brain, também são produto de influência do estilo introduzido pelo Kraftwerk.

Florian Schneider Florian Schneider / Daniele Dalledonne/Wikipedia

Antes deles, o Tangerine Dream (1967) já brincava com sonoridades eletrônicas, feedbacks, distorções e artificialidades, mas por meio de sintetizadores que os seres humanos tentavam controlar. Faziam um lance mais pontuado pela ambiência e nem tanto pelos padrões dançantes sincopados que resultariam no techno, no synthpop e na house, iniciados por Schneider e sua trupe.

O Kraftwerk trouxe a ideia de que as máquinas poderiam não apenas superar e se conectar com os humanos, mas os absorverem, até que o criador e sua tecnologia, tendo desenvolvido uma consciência própria, se tornassem um só. Os caras  tinham um nome para isso: “Menschmaschine”, ou seja, “homem-máquina”.

Quando o disco “Autobahn” (1974) foi lançado, ficou claro que o grupo havia desenvolvido algo ainda mais fascinante. A faixa-título, de 22 minutos, começava com uma voz robótica entoando “autobahn” (rodovia, em português). Compassos sequenciados hipnotizavam o ouvinte à sensação de  viajar numa estrada, com letra que repetia: “Estamos dirigindo, dirigindo, na estrada”. E o destino, àquele tempo desconhecido, sabemos: é o agora.

DISCOTECA BÁSICA DO KRAFTWERK

“Autobahn” (1974)
Ouça: ‘Autobahn’ e ‘Kometenmelodie 2’

“Trans-Europe Express” (1977)
Ouça: ‘Trans-Europe Express’ e ‘Showroom Dummies’

“Computer World” (1981)
Ouça: ‘Pocket Calculator’ e ‘Numbers’

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