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Peça ‘Razão Social’ mescla história do samba com o golpe militar de 1964

Em novembro do ano passado, Gero Camilo e Victor Mendes começavam a pensar em um novo trabalho ambientado em um momento de drásticas mudanças no país. Eles não imaginavam, então, que “Razão Social” estrearia um ano depois também em uma época dura e turbulenta para o Brasil.

A obra, que chega nesta sexta-feira (18) aos palcos, coloca os atores, respectivamente, como um operário e um estudante que se refugiam no lendário bar Zicartola na madrugada na qual os militares tomaram o poder no país, em 1º de abril de 1964. Em meio ao samba administrado pelos proprietários, o casal Dona Zica (Fabiana Cozza) e Cartola (Adolfo Moura), eles refletem sobre a situação política e reforçam o caráter de resistência do gênero musical.

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“Tudo começou com o prazer de falar sobre o samba, mas o cruzamento disso com a política aconteceu naturalmente e tudo foi ganhando profundidade”, afirma Mendes, coautor do texto ao lado de Camilo, que temeu que a peça soasse datada devido ao marco histórico no qual é ambientado.

“Eu me convenci de fazer porque a gente tem sempre que olhar para nosso passado. O susto é quando a gente olha para esse passado e vê o presente. Claro que há variações, mas a peça faz uma reflexão atual”, diz o ator e cantor.

Outra coincidência foi o fato de a estreia da peça casar com o centenário do gênero musical que a embala, comemorado este ano.

“O samba tem por origem essa reflexão política. Ele não esconde nada, ele expõe feridas, dores e alegrias do povo mais desfavorecido”, diz Camilo.

O título do trabalho remete ao nome jurídico do bar, Razão Social: Refeição Caseira Ltda, e também à razão social de ele existir como reduto agregador de intelectuais e artistas.

Personagens como Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Zé Keti e Clementina de Jesus ganham vida e tem músicas encenadas ao vivo pelos atores e músicos Everson Pessoa, Gerson da Banda e Nino Miau.

“A maioria deles viveu o clichê da arte, de ser marginalizado a vida inteira e começar a ser valorizado depois de morrer, mas acho que ainda não atingiram a popularidade que merecem”, diz Mendes.

“Tenho Cartola como Shakespeare e em pé de igualdade com Tom Jobim. A potência poética dele é maior que qualquer samba”, conclui Camilo.

 

Serviço:
No Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185, tel.: 3332-3600). Estreia nesta sexta-feira (18). Sex. e sáb., às 21h, dom., às 18h. R$ 30.  

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