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Novo romance de Vargas Llosa cruza ficção com história política do Peru

Em um romance “menor” apenas no número de páginas, o autor peruano decide em “Cinco Esquinas” revisitar um período tortuoso da história recente do seu país: o final da era Alberto Fujimori (1990-2000), presidente que, em sua primeira eleição, derrotou nas urnas o então candidato, e hoje prêmio Nobel de Literatura, Vargas Llosa.

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O modelo escolhido pelo autor foi cruzar as trajetórias de personagens de diferentes extratos sociais em meio à realidade violenta de um Peru aterrorizado pelo conflito entre as forças do governo e grupos terroristas, notadamente o sanguinário Sendero Luminoso.

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Em cada uma das histórias, Vargas Llosa mostra como era a vida em um país onde os valores morais foram colocados em cheque por meio da chantagem e do uso da imprensa como instrumento para destruir reputações sempre a serviço do então todo-poderoso Doutor, referência direta a Vladimiro Montesinos, ex-chefe do serviço de espionagem do governo peruano apontado como o homem forte de Fujimori.

Além do contexto político e a crítica direta ao chamado “jornalismo marrom”, “Cinco Esquinas” ainda desce aos infectos porões da ditadura, promove um passeio conduzido pela memória afetiva do autor por ruas, bares e becos da região que dá nome ao livro e ainda invade a privacidade da alta sociedade limenha, expondo sua intimidade, cama e lençois.

O sexo retratado por Vargas Llosa, por sinal, é o ponto central de uma de suas narrativas, onde desejos e tabus são mostrados de maneira  explícita sem pudor algum.

A escrita precisa, a capacidade ímpar para descrever uma cena, as referências históricas e os mais diversos tipos que transitam pelas ruas e páginas de “Cinco Esquinas” complementam esta “pequena” grande obra, que, sem exagero, deve ser devorada com prazer.

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