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Realidade paralela

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É impressionante como os políticos não conseguem entender o recado passado a eles pela sociedade. Impressionante. Parecem gostar de viver numa realidade paralela, muito longe da vivida nas casas, ruas, na cidade, enfim… Os protestos de 2013 foram claros na sua mensagem de cansaço em relação aos métodos tradicionais de se fazer política. Principalmente aquela de gabinete, quando acertos são definidos levando-se em conta única e exclusivamente os interesses de quem deles participa. As candidaturas para prefeito da Grande Vitória estão quase todas definidas.

O “quase” fica por conta da possibilidade de um arranjo aqui, outro lá, novamente tendo como norte a carreira dos candidatos. Agora, note o seguinte: em nenhum momento, nenhum mesmo, esses arranjos e acordos se deram ou se darão por conta de um projeto para as cidades. Não se está falando aqui de algum tipo de afinidade ideológica, maneiras de “pensar o mundo”. Nada disso. É de projeto mesmo. Algo concreto.

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Qual a proposta para resolver o nó da mobilidade urbana, tormento diário de milhares de pessoas, por exemplo. Ou para melhorar o atendimento da saúde. Ou, ainda, elevar o nível da educação. Nada disso fez parte das conversas travadas entre os candidatos a prefeitos. Numa conta grosseira, eles chegam a duas dezenas nas quatro cidades da Grande Vitória. E nos últimos dias, a cada oficialização de candidatura, eles falaram bem de seus aliados da hora, mal dos adversários do momento. Falaram, falaram, falaram… e não disseram nada, absolutamente nada, de interesse dos eleitores. Não se firmou uma só aliança em torno de um plano, de uma ideia, de uma proposta. Ao contrário: os discursos de lançamento de candidaturas são um deserto de ideias.

Os prefeitos, candidatos a reeleição, e seus adversários deveriam parar, por um momento, e pensar qual a evolução efetiva entre a campanha deste ano e a de quatro anos atrás, ocorrida meses antes de as pessoas irem às ruas exigir mudanças (essa palavra muito usada nessa época…) na vida pública. Os acertos todos feitos até agora só satisfazem os projetos políticos deles mesmos. Fala-se no surgimento de um “novo pólo de poder”, acertado em reuniões sigilosas, candidaturas surgiram e desapareceram na última hora, chapas foram compostas para satisfazer desejos partidários. Tudo isso obedeceu à uma lógica antiga, anacrônica, uma maneira ultrapassada de fazer política. Uma lógica que faz com que os políticos se satisfaçam e se bastem entre eles. Como se a opinião da sociedade fosse só um detalhe nesse jogo. Não é. As ruas já disseram isso várias vezes. Só não entende esse recado quem é politicamente surdo. Infelizmente, parece ser este o caso da maioria dos nossos candidatos…

* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor

Antonio Carlos Leite é jornalista há 28 anos. É diretor de Redação  do Metro, diretor de Jornalismo da Sá Comunicação e escreve a cada 15 dias neste espaço.

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