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Brasil olímpico?

Cadu Doné Colunistas twitterQuais deveriam ser as prioridades do Ministério do Esporte? Enxergar a prática de exercícios físicos num contexto amplo, como mecanismo socializante, de inclusão, civilizatório e educativo, contribuindo na formação de valores e na retirada de crianças e adolescentes do mundo das drogas, do crime; melhorar a qualidade de vida, a saúde da população, o que, além do bem humanitário, propiciaria uma economia inteligente de dinheiro público em gastos com hospitais e tratamentos diversos, entre outras coisas da área médica. Digamos que, grosso modo, essas duas prioridades citadas surgem como as mais óbvias, notórias. Gostaria de acrescentar uma terceira.

Tendo em vista um Estado que tem como incumbência cuidar, em um grau considerável, do bem estar da população – e isso se aplica, obviamente, ao menos na teoria, a priori, enquanto definição, ao sistema político brasileiro –, é interessante pensar no esporte, em termos sociais, gerais, como um mecanismo, uma arma para a felicidade. Isso mesmo. Há muito a ciência já comprovou que a liberação de endorfina gera prazer, contentamento. Em médio e longo prazo, a prática de exercícios é um dos principais aliados que se pode ter contra a depressão. Logo, em termos biológicos, fisiológicos – além do ganho na prevenção de doenças da população –, a disseminação do acesso ao esporte, o incentivo ao hábito de se exercitar – que poderia se dar por meio das mais diversas campanhas e ações práticas –, contribuiria, diretamente, para deixar o povo mais feliz. É inegável: quem experimenta uma atividade aeróbica – não somente – qualquer, e se propõe a uma autoanálise, percebe que houve sim, após a prática do esporte, um ganho em termos de bem estar.

Num sentido mais filosófico e menos escancarado, o hábito de se exercitar contribui para a felicidade de outras maneiras. Schopenhauer e outros pensadores preconizavam que o tédio é, essencialmente, um dos principais fantasmas da humanidade. A distração de estar em movimento, em um jogo, em um desafio, em si, convenhamos, costuma ser um ótimo antídoto contra o famigerado aborrecimento. Fora que, o simples ato de reunir-se com amigos, preferencialmente ao ar livre, além de ocupar o tempo de maneira saudável, muda o astral, é terapia frequentemente sem igual.

Levando-se em conta que a entrega ao trabalho intelectual e à fruição artística – outro mecanismo para aliviar e sair do tédio, para elevar-se ante as angustias do âmago – é rara para a maioria, a opção pelo esporte como parceiro nessa luta pelo espalhamento da felicidade, do bem estar, da saúde corpórea e mental, se torna ainda mais importante. Óbvio: uma coisa não anula a outra e o Ministério da Educação está aí para trabalhar. Mas que, conhecendo a espécie humana, conclui-se que fica mais fácil tirar um indivíduo da inércia corporal do que da intelectual, quanto a isso, não há a menor dúvida. Até porque, entre outros motivos, a segunda depende mais de tendências próprias, de certos predicados não tão comuns assim.

Cadu Doné é comentarista esportivo da rádio Itatiaia e da TV Band Minas, filósofo e escritor

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